Tecnologia para garantir a segurança

Os trabalhos de restauração começaram em janeiro de 2017. Para selar as fissuras e reduzir a permeabilidade da superfície, as paredes de concreto foram tratadas com uma combinação de produtos fornecidos pela Penetron: resina de poliuretanto flexível, selante líquido aplicado por pulverização, e argamassa cimentícia modificada por polímero.

A injeção da resina foi usada para selar 6.000 m de juntas de concreto. Já o selante reativo foi aplicado em mais de 20.000 m² das paredes da barragem, com uma espessura de 2 cm.

Concorreu para a escolha dos produtos cristalizantes o fato de não serem tóxicos e  isentos de compostos orgânicos voláteis (COVs). Solução ideal para um reservatório que fornece água para a população. “Renovada, a Barragem de Jucazinho está pronta para a água!”, comemora Cláudio Ourives, diretor executivo da Penetron Brasil.

O projeto

O projeto de recuperação da Barragem de Jucazinho foi desenvolvido pela JLC Engenharia de Projetos e Consultoria, contratada pela Concrepoxi Engenharia, de Recife. Seu diretor, o engenheiro
Luiz Eduardo Cardoso, projetista de estrutura de concreto armado e protendido, explica que as estruturas fundamentais recuperadas foram as de paramento – parede vertical com variação de seção e 80 cm de espessura até 60 cm na crista da barragem.

“Havia um problema muito severo de lixiviação e carbonatação. O concreto compactado a rolo (CCR) do núcleo da barragem se mostrava altamente permeável e o conjunto manifestava uma série de infiltrações muito nocivas. Havia grande concentração de umidade, inclusive no túnel de inspeção para acesso ao sistema hidráulico”, diz Cardoso.

O projeto contemplou a recuperação do paramento e também da base da barragem, o que foi feito com estacas injetadas. Já a recuperação do substrato foi um grande desafio pela dificuldade de acesso e pelo trabalho realizado em temperatura altíssi-ma, que chegava a 50ºC, e com vento. Daí a necessidade de especificação de um produto que pudesse ser ensaiado em laboratório, simulando o microclima local. A JLC Engenharia definiu a meto-dologia e o laboratório para os ensaios, que foi o Holanda Engenharia.

“A melhor solução foi o uso de selante líquido fornecido pela Penetron, para não só reduzir a permeabilidade do concreto, mas também toda a parte de reação dos silicatos com a pasta de cimento”, diz o engenheiro, explicando que o processo de lixiviação rouba hidróxidos de cálcio não estáveis do cimento, gerando a carbonatação. Era preciso, ainda, recuperar o pH e criar uma estrutura que pudesse suportar toda ação da pressão hidrostática, garantindo permeabilidade zero à estrutura.

As juntas longitudinais chamadas Fungenband foram substituídas por jun-tas em Ômega, que também eram pontos críticos de grande concentração e infil-tração de água sob pressão. Além do tratamento do substrato, foi preciso atuar dentro do túnel. Em alguns trechos, o teto dessa galeria, estruturado a partir do CCR, já tinha desabado por processo de corrosão e falta de armaduras principais. Ele foi totalmente recuperado e as anco-ragens, refeitas.

“Utilizamos na reconstituição dessas seções concreto projetado aditivado com cristalizante. Esse cristalizante, além de se incorporar à estrutura do concreto, cria um sistema de impermeabilização e de proteção da armadura contra agentes  agressivos, evitando novas corrosões. O trabalho ficou muito adequado, porquehavia vários veios de infiltração de água. O emprego do cristalizante associado a injeções de poliuretano trouxe resultados muito satisfatórios”, comenta Cardoso.

Avaliações pós-obra indicam uma melhora significativa do comportamento da barragem, tanto estrutural quanto da sua vitalidade. “Isso é uma vitória”, conclui

ENTREVISTA COM O ENGENHEIRO BRUNO VENTURA, DIRETOR TÉCNICO DA CONCREPOXI

De que forma atuam os aditivos cristalizantes na recuperação de fissuras em estruturas de concreto?

No caso da Barragem de Jucazinho, nos utilizamos o aditivo cristalizante em concreto novo. No barramento de montante utilizamos resina de poliuretano para fissuras maiores que 0,05 mm e um selador de concreto com penetração reativa em todo o paredão. Esse produto, também fornecido pela Penetron, é um selador líquido pronto para uso aplicado por spray que forma uma barreira subsuperficial que protege o concreto contra a penetração de água e sela as fissuras capilares. Quando borrifa-do em uma superfície de concreto total-mente limpo, ele reage com o concreto para formar um gel subsuperficial. Esse gel sela poros, capilares e fissuras. Deve ser utilizado após a abertura dos vasos capilares por hidrojateamento, aplica-se o selador, que é um produto a base de silicato de sódio, que tem a capacidade de penetração entre 25 mm a 30 mm nos capilares do concreto até sua matriz, conferindo uma selagem suficiente para impedir o ingresso da água, sais, ácidos e cloretos. A aplicação deve ocorrer imediatamente após a abertura dos capilares, ainda com o substrato na condição “SSS”. Caso contrário o substrato deverá ser umedecido para que a aplicação seja realizada. A saturação é importante para a ativação do silicato com os hidróxidos no interior dos vasos capilares, desde a matriz até a superfície do substrato.

Fale especificamente sobre a experiência de recuperação da Barragem de Jucazinho: qual foi o problema apresentado pelo cliente e de que forma a Penetron realizou o reparo?

O estudo inicial, feito pelo cliente, Dnocs, apontava basicamente três problemas: a. alto índice de porosidade no barramento de montante; b. fissuras “leves” em todo o barramento de montante; c. fissuras estruturais nas duas ombreiras da barragem. Para resolver o problema da porosidade no barramento de montante, foi executado um hidrojateamente com ultrapressão (9.000 psi), aplicação do selador reativo e a aplicação de 2 cm de argamassa estrutural projetada. Nas fissuras, fizermos a injeção de resina de poliuretano. Já nas fissuras estruturais nas duas ombreiras, executamos uma cortina de injeções em rocha profunda.

Como ocorreu a deterioração da estrutura? É normal em barragens dessa natureza? O que fazer para prevenir?

A deterioração da estrutura está diretamente ligada à manutenção contínua. Após 20 anos de construída, esta foi a primeira intervenção de sua manutenção na estrutura. Para prevenir é de suma importância a manutenção contínua.