Após demolição de estrutura de concreto pré-existente, engenheiros promovem recuperação da ponte no interior paulista com estrutura mista de aço e concreto de comportamento monolítico

A Rodovia Assis Chateau-briand (SP-425) tem importante papel no transporte rodoviário e na eco-nomia da região, e apresenta um traçado transversal do Estado de São Paulo. O eixo viário propicia conexões com outras importantes rodovias, como a Washington Luís (SP-310), a BR-153 (Transbrasiliana), a Marechal Rondon (SP-300) e a Raposo Tavares (SP 270), entre outras, fazendo também ligações de importantes cidades como Barretos, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, e a de tantas cidades nos entornos de seu percurso com 499 km de extensão – de Miguelópolis, ao norte, a Pirapozinho, no sudoeste do Estado. “Não foram fornecidos documentos oficiais ou extraoficiais que possibilitassem uma verificação e/ou datação das construções, tanto da rodovia quanto da ponte que transpõe o Rio do Peixe. No entanto, informações de moradores da região e mesmo de representantes do DER-SP apontam que as construções originais existem há aproximadamente 60 anos”, explica Maria Aparecida Soukef, diretora operacional da Concrejato Engenharia e responsável pela obra. A falta de documentação original acerca do projeto de construção da ponte inviabilizou o acesso a aspectos técnicos e procedimentos utilizados na constituição das estruturas. “Sabe-se que, tempos mais tarde, em razão do aumento do tráfego e de suas características, foram feitas obras de melhorias, inclusive a ampliação da ponte do lado jusante do rio, para a criação de uma terceira faixa no local”, comenta Soukef.

FICHA TÉCNICA
Obra: ponte sobre o Rio do Peixe
Local: Martinópolis (SP)
Início da obra: 2010
Conclusão da obra: 2016
Cliente: DER-SP – Contratação das obras e serviços de recuperação da estrutura da Ponte do Rio do Peixe, no km 398 da SP 425, incluindo a elaboração de projeto executivo.
Empresa executora: Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A
Fiscalização: DR.12/ST.12 – Departamento de Estradas de Rodagem
Valor final do contrato: R$ 7.367.979,93.
Técnica: concreto protegido (longarinas e transversinas) e pilares e tabuleiro de concreto armado

A localização

Implantada num vale entre as cidades de Martinópolis e Parapuã, na Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), km 398, a ponte original sobre o Rio do Peixe foi substituída por uma estrutura mista de concreto e aço, engastada em parte da estrutura preexistente por meio de vigas de travamentos protendidos, tornando as duas pontes uma só.

Viga metálica combinada à plataforma de concreto confere estabilidade monolítica

“Não foram fornecidos documentos oficiais ou extraoficiais que possibilitassem uma verificação e/ou datação das construções, tanto da rodovia quanto da ponte que transpõe o Rio do Peixe. No entanto, informações de moradores da região e mesmo de representantes do DER-SP apontam que as construções originais existem há 60 anos.”
Maria Aparecida Soukef, diretora da Concrejato

A demanda do cliente

“O objeto proposto pelo cliente inicial-mente seria a recuperação estrutural da ponte existente”, conta Soukef. No entanto, a estrutura existente de concreto armado e protendido apresentou problemas estruturais graves, com rompimento da protensão de vigas (longarinas). A proposta demandada originalmente pre-viu a remoção total da superestrutura (vigas e lajes) com a realização de reforço de fundação e pilares. “Como premissa, o trânsito local não poderia ser interrompido, mantendo-se uma equipe de pare e siga na parte da ponte anexa, ou seja, na terceira faixa local (construída posteriormente)”, detalha a engenheira.

Viga metálica posicionada com o auxílio de grua

A avaliação da estrutura

A avaliação foi realizada antes da licitação e para realização do projeto básico. Iniciados os trabalhos no local, identificou–se que, por causa do alto tráfego, a terceira pista também começou a apresentar problemas estruturais, que demandaram uma nova diretriz para o projeto executivo.

“Como premissa, o trânsito local não poderia ser interrompido, mantendo-se uma equipe de pare e siga na parte da ponte anexa, ou seja, na terceira faixa local (construída posteriormente).”
Maria Aparecida Soukef, diretora da Concrejato

FORNECEDORES
Projetos básicos e executivos: Copem Consultoria e Projeto de Engenharia de Estrutura S/A Ltda
Demolições: Qualiserv Rental
Estrutura metálica: Pruden art Metalúrgica Ltda
Sondagem: Sondobase Geotecnia, Meio Ambiente e Participações Ltda
Fundações: Concrejato Serviços Técnicos Engenharia S/A
Concreto: VIPP MIX Concreto e Argamassa
Juntas de dilatação: Uniontech
Ensaios laboratoriais: Gerabtec Laboratório Tecnológico de Materiais
Aços: Gerdau longo S.A
Aluguel de equipamentos: Dida Ferramentas

A sequência do trabalho

Demolição total de ponte existente
Fundações em estaca raiz, blocos, pilares, vigas de travamentos, vigas transversinas e tabuleiro de concreto
Estaca raiz com camisa metálica
Estrutura metálica das vigas longarinas
Escadas de drenagens e colocação de grama
Juntas de dilatação
Encabeçamentos das pontes
Asfalto e pintura de sinalização horizontal
Protensão das vigas de travamento
Enrocamento de pedra jogada

Por Gustavo Curcio