Inaugurada há 3 meses no Distrito Federal, a Estação Solar Guariroba possui sistema de captação solar fotovoltaico com capacidade de gerar 228 mil kW/ano

Na ocasião da inauguração, em 20 de outubro, o governador de Brasília Rodrigo Rollemberg destacou a preocupação ecológica do sistema que é o primeiro desta natureza a ser implantado na América Latina, e o quarto no mundo. “Esse sistema vai significar economia de R$ 50 mil a R$ 60 mil por mês para o metrô, e o nosso objetivo é ampliar isso para outras estações”, disse.

De acordo com o Metrô-DF, o sistema abastecerá toda a estação. O projeto–piloto de mini geração de energia limpa reduzirá, a médio prazo, as contas de luz da companhia. Em concorrência nacional para instalar o sistema, na qual disputaram 38 empresas, a vencedora do pregão eletrônico foi a Cápua Projetos e Construções Ltda. que atuou por meio de sua subsidiária Héstia Energy. Segundo Daniela Diniz, diretora técnica do Metro-DF, “a matriz sustentável implementada segue determinação do governador do DF, Rodrigo Rollemberg, de investimentos do poder público em energias renováveis e mobilidade limpa”. Diniz reforça que nas demais estações do sistema, a energia usada já é proveniente de fontes limpas, de matriz hidrelétrica.

Vista aérea da cobertura da Estação de Guariroba, em Ceilândia Sul (Distrito Federal)

O sistema pioneiro, instalado na estação de metrô e interligado à rede elétrica metroviária, colocou Brasília num grupo seleto de cidades no mundo, detentoras de sistemas semelhantes, como Nova Iorque, Milão e Nova Déli. “Estamos falando do primeiro metrô da América Latina com essa tecnologia. Guariroba irá gerar até 288 mil kW/h de energia elétrica, o equivalente ao consumo da própria Estação Guariroba e de outras duas estações de passageiros de mesmo porte”, explica Diniz.

Foram instalados painéis solares sobre o telhado da estação Guariroba que, com o auxílio de inversores de frequência, fazem a conversão da energia solar em energia elétrica convencional. Esta energia é enviada diretamente à Subestação Auxiliar da Estação Guariroba, que a distribui para todas as cargas da própria estação, durante o período de geração da usina. A energia excedente é naturalmente enviada às demais cargas do Metrô-DF que estão nas proximidades de Guariroba (outras estações, sistema de tração, etc).

Três outras estações deverão receber, até 2019, sistema semelhante com a utilização de energia solar. As paradas Samambaia Sul e Feira e uma Unisa Solar no Centro Operacional do Metrô. Após a conclusão desses pontos, a geração alternativa de energia do Metrô-DF será de um terço da demanda total, o que gerará uma economia superior a R$ 1 milhão ao mês.

Detalhe dos painéis fotovoltaicos usados para captação da energia primária solar

“Estamos falando do primeiro metrô da América Latina com essa tecnologia. Guariroba irá gerar até 288 mil kW/h de energia elétrica, o equivalente ao consumo da própria Estação Guariroba e de outras duas estações de passageiros de mesmo porte.”
Daniela Diniz, diretora técnica do Metrô-DF

A usina
A estrutura da usina da Estação de Guariroba foi produzida para atender com segurança e vida útil a demanda apresentada. Está apoiada sobre as vigas da estação, não comprometendo a sustentação do telhado. De aço galvanizado estrutural e alumínio anodizado, os módulos solares estão presos, garantindo firmeza para superar as condições climáticas e garantir o melhor desempenho conforme especificações do projeto.

Vista de topo de Ceilândia Sul. O excedente gerado pela Estação Solar de Guariroba será injetado no sistema metroviário do Distrito Federal

O complexo de 184,9 kWp é responsável pela geração de 100% do consumo da estação, dispondo ainda de excedentes que são utilizados em outras áreas do controle metroviário de Brasília. O sistema conta com 578 módulos com eficiência de 16,4% e potência de 320Wp testados previamente para garantir uma melhor produção e eficiência até 25 anos. Ligados em fileiras – chamadas de strings – que contêm 17 placas em série e conduzem a potência ao inversor. Cada inversor tem um total de 12 strings conectados para garantir uma melhor eficiência dos módulos. Os inversores têm um papel importante no sistema que transforma a energia elétrica gerada pelos módulos, de corrente continua (CC) para corrente alternada (CA). O seu papel secundário é garantir a segurança do sistema e medir a energia produzida pelos módulos. “O sistema é capaz de detectar a tensão e a frequência, garantindo padrão de abastecimento semelhante aos fornecidos pela concessionária local”, explica José Gama, diretor da Héstia Energy.

A manutenção
Durante o período de um ano, a manutenção e o monitoramento da usina são de responsabilidade da empresa contratada pela instalação. Este tempo é o período mínimo necessário para que seja feita a avaliação do desempenho do sistema projetado. Durante este período, também é responsabilidade da contratada treinar as equipes técnicas do Metrô-DF que passarão a realizar a manutenção do sistema após o fim do contrato de instalação da usina.

Para isso, estabeleceu-se uma parceria com o Senai, a Fábrica Social e a Escola Técnica de Ceilândia para a formação dos técnicos, cujo projeto pedagógico ainda está sendo elaborado. Segundo nota publicada pelo Senai, “a geração de energia por fontes alternativas é fundamental do ponto de vista de sustentabilidade, criando oportunidades para que alunos e egressos de nossas instituições de ensino possam estudar e utilizar esta estação do metrô como laboratório para novos aprendizados e iniciativas”. “Os treinamentos devem começar a ser ministrados em fevereiro” diz a porta-voz do Metrô-DF.

Prêmio internacional
Graças à implementação do sistema de captação de energia, o Metrô-DF recebeu o prêmio Golden Chariot International Transport Award, na categoria Companhia Nacional de Transporte do Ano. A premiação reconhece globalmente organizações que contribuem com ações sustentáveis em sistemas de transporte. A entrega ocorreu no evento Metas de Desenvolvimento Sustentável – Transporte e Paz, na sede da Organização das Nações Unidas em Genebra, na Suíça.

Técnicos de manutenção do sistema de captação serão formados por meio de parceria com o Senai, a Fábrica Social e a Escola Técnica de Ceilândia

Por Isadora Macedo