Saiba como é feito o reaproveitamento do pó de borracha dos pneus para a produção do asfalto usado no Paraná

O asfalto ecológico utilizado na pavimentação da BR-277 é do tipo Tyreflex AB8 WM, fornecido pela CBB Asfaltos, também do Paraná. De acordo com Luiz Henrique Teixeira, diretor técnico da empresa, o material é produzido por meio da adição química de pó de pneu (pó de borracha) ao cimento asfáltico de petróleo (CAP), também chamado de asfalto básico.

Todo o processo de moagem do pneu em granulometria fina até se transformar em pó de borracha é feito pela Recibras, em Arapongas (PR). A empresa utiliza apenas pneus de caminhão, uma vez que o material possui de cerca de 31% a 33% de borracha natural, ao contrário dos pneus de automóveis que, na média, possuem entre 16% e 20% de borracha natural. “É esse material que quero trazer para o meu ligante asfáltico”, ressalta Teixeira. Esse pó de pneus descartados é adicionado então de 15% a 20% ao cimento asfáltico de petróleo (CAP). “Nós compramos um asfalto padrão da refinaria da Petrobras e, por um processo de incorporação por alto cisalhamento e alta temperatura, as propriedades da borracha passam para o ligante asfáltico”, explica Teixeira. O composto resultante dessa extração já pode ser chamado de asfalto ecológico ou asfalto-borracha, mas ainda não está pronto para ser aplicado. Antes, deve ser encaminhado para uma usina de asfalto, que será responsável pela adição de materiais pétreos (brita, pedrisco e pó de pedra), para que forme o concreto asfáltico. Esse processo deve ser feito em alta temperatura, embora algumas aplicações do produto demonstraram que é possível chegar a temperaturas de compactação de até 90°C, aumentando assim o raio de alcance da usina.

O WM que aparece no nome do produto é uma abreviação para Warm Mix, que diz a respeito a misturas mornas. “Se você usa asfalto de borracha convencional, precisa ter um processo de usinagem com temperaturas perto de 180˚C. Já o WM tem capacidade de reduzir as temperaturas em até 40˚C”, explica. Isso torna o produto ainda mais ecológico, uma vez que promove economia de energia, redução das emissões de CO2 e envelhecimento precoce do ligante asfáltico. Se processado corretamente, o material passa a ter características como recuperação elástica mínima de 50%, ponto de amolecimento mínimo de 50˚C e alta viscosidade (de 800 a 2.000 cP). Todas essas especificações ajudam a diminuir os efeitos nocivos do tráfego e das intempéries, aumentando, assim, a vida dos pavimentos. “A rodovia geralmente possui uma alta temperatura de trabalho, seja pela temperatura ambiente, seja pelo próprio tráfego que vai aquecer o pavimento. Então, quanto maior for essa temperatura de ponto de amolecimento, melhor é a condição do ligante asfáltico”, afirma Teixeira, o diretor técnico da CBB Asfaltos. 

ECONOMIA DE ENERGIA 

Por Dirceu Neto