Valetadeira permite instalar em apenas 18 dias, aproximadamente, 2.000 m de cabeamento de fibra ótica (DDG) para levar sinal de telefonia à região da Ilha do Governador (RJ)

O prazo só foi cumprido graças à aquisição de uma valetadeira com roda de corte, capaz de abrir microvalas (ou valetas) de pequenas larguras. A obra foi realizada em julho de 2016, poucos dias antes do início dos Jogos Olímpicos.

Antes da implantação dos cabos e da abertura das valas, a RLP Engenharia teve que ser muito rigorosa na fase inicial do projeto, uma vez que o equipamento utilizado (o modelo RTX 550, da marca Vermeer) corta tudo o que passa na frente, inclusive outras redes subterrâneas. “A gente fez um levantamento cadastral dessas redes existentes, buscando os registros junto às concessionárias de energia, de esgoto e de telecomunicações”, explica Thiago Cardoso, diretor executivo da empresa.

Além disso, uma equipe de geodésia e geofísica fez o trabalho minucioso de mapeamento do solo com uma máquina de georradar. Caso encontrasse uma rede interferente no local de corte, a empresa deslocaria o traçado da valetadeira. Se isso não fosse possível, interromperia o corte e faria aquele trecho manualmente.

A obra avançou em média 110 metros por dia. Depois que a valetadeira abria a microvala de 5 cm de largura e 60 cm de profundidade, a equipe de obra fazia a remoção de cascalho no fundo da vala e, então, eram assentados os dutos por onde passariam os cabeamentos. Com a estrutura pronta, a vala era aterrada. Tudo isso em um dia, com interferências mínimas no tráfego de veículos.

“Quando a gente trabalha em pista e em vias de alto tráfego, sempre deve ter essa autorização da CET Rio, que às vezes faz algumas ressalvas. Nesse caso, tivemos que colocar uma sinalização especial e contratar guias de tráfego, para sinalizar da melhor forma possível e reduzir os impactos viários”, afirma Cardoso.

Esse método construtivo só foi possível devido à utilização da valetadeira. Sem ela, a outra opção seria uma retroescavadeira, por exemplo, com a qual se chegaria a uma produtividade de aproximadamente 40 m a 50 m por dia. Esse tipo de obra também pode ser feito manualmente, apenas com o auxílio de rompedores pneumáticos, pá e enxadas. Mas, nesse caso, a produtividade cai para 20 m por dia.

Para acelerar o processo de reaterro das valas, o concreto utilizado nos dutos foi de alta resistência inicial (CPV), com acelerador de pega. “Nós não utilizamos um concreto normal como usaríamos em uma vala convencional, porque a gente tem que fechar a vala o mais rápido possível”, explica Cardoso. Por isso, não é utilizado agregrado graúdo de alta granulação, mas sim concreto brita zero, com cimento, areia e acelerador de pega.

Com os dutos instalados e a vala já fechada, foi passado o cabeamento, que pode ser feito através de técnicas de insuflamento, com auxílio de máquinas ou manualmente. Segundo Cardoso, por se tratar de uma obra urbana, onde um trecho entre uma caixa de passagem e outra não costuma superar 200 m, o cabeamento de 2.000 metros foi instalado manualmente.

O acabamento foi feito com uma capa de asfalto frio, para que não fique aparente na estrada. O produto chega em sacos e é aplicado na vala, para depois ser compactado. Outra opção seria utilizar o asfalto quente, que fica mais homogêneo. Porém, em obras com microvalas, onde se utilizam apenas 5 cm de largura, não há volume suficiente para se contratar uma empresa que forneça o asfalto quente.

Equipe de geodésia e geofísica fazendo o trabalho de mapeamento do solo com uma máquina de georradar, para encontrar rede interferente
Trabalho em pista e vias de alto tráfego com autorização da CET Rio

FICHA TÉCNICA 

Obra: Instalação de cabeamento de telefonia
Localização: Ilha do Governador (RJ)
Ano: julho de 2016
Contratante: Telefônica Vivo
Execução da obra: RLP Engenharia
Fornecedora da valetadeira: Vermeer

Por Dirceu Neto