Como funciona o método de contenção por gabiões

O QUE É
 Gabião, método secular da engenharia de contenções empregado desde os egípcios e os chineses antigos, teve sua forma mais moderna desenvolvida por italianos, no século 19, com gaiolas metálicas.

 São estruturas armadas, monolíticas e permeáveis, utilizadas na construção de muros de arrimo para aumentar a resistência de taludes a empuxos provenientes de solo ou de água.

 O diretor-técnico da Infraestrutura Engenharia, engenheiro Ivan Joppert, define gabiões como muros de gravidade compostos de caixas prismáticas retangulares, cujas paredes são malhas hexagonais de fios de aço recozido e galvanizado, amarrados nas extremidades – que as tornam autodrenantes e flexíveis, portanto, adaptáveis a movimentações (deformações ou recalques). “As caixas são colocadas lado a lado, costuradas entre si com fios de aço para tornar a estrutura do muro monolítica, e preenchidas com brita tipo rachão”, diz Joppert.

 Além da caixa de malha de fio de aço, que é o invólucro mais comumente utilizado, existem também gabiões-saco e colchões. O tipo saco é transportado preenchido, sendo indicado para obras emergenciais, hidráulicas ou submersas. Já o tipo colchão apresenta superfície maior do que sua espessura e, geralmente, é usado em obras hidráulicas como revestimento de canais.

REPRODUÇÃO

PARA QUE SERVE
 Gabiões substituem o uso de grandes blocos, de difícil manuseio, ou de pedras soltas, o que, sozinho, não garantiria nem a durabilidade nem o melhor desempenho como sistema.

 Por ter rochas naturais como principal material componente, são duráveis – o principal foco de desgaste do gabião está nas malhas metálicas, mas técnicas contemporâneas de proteção contra a corrosão têm aumentado sua vida útil.

 Uma das aplicações mais comuns é em estradas, como acontece na SP 360, recém-duplicada, e, por serem versáteis, os gabiões-caixa podem ser utilizados tanto na construção de canais quanto na proteção de margens, revestimento de leitos e execução de altos muros de arrimo. A associação de geotêxtil à face interna do sistema impede o carreamento de finos – e requer cuidados especiais tanto no projeto quanto na obra.

DIVULGAÇÃO ODEBRECHTDe arames de aço e de pedras
Telas que compõem as caixas, ou gaiolas, são feitas de arame de aço de baixo teor de carbono e passam, normalmente, por processo de zincagem pesada. Também podem receber recobrimento adicional de material plástico, ganhando maior resistência contra ataques químicos ou intempéries.

Uma malha hexagonal em dupla torção é tecida com os arames, por meio de procedimento de produção que deve atender à ABNT NBR 10.514 (Redes de aço com malha hexagonal de dupla torção, para confecção de gabiões – Especificação).

Fios são entrelaçados por meias-voltas duplas, o que aumenta a eficiência na distribuição das tensões e a estabilidade do conjunto no caso de uma eventual ruptura do arame. Assim, a tela não desfia e tem sua integridade estrutural preservada. Já o preenchimento das gaiolas é feito usualmente com rocha não friável – basalto, granito ou seixo -, de granulometria no mínimo 1,5 vez maior que a abertura da malha. A indisponibilidade da chamada “pedra de mão” em uma determinada localidade é um dos fatores que podem inviabilizar a adoção do sistema, uma vez que o transporte distante do material, pesado, encareceria demais a obra.

Muro de terra armada: parede de gabião ao qual é associado um reforço de tela metálica atrelado à malha das caixas. Isso permitiu que a estrutura final trabalhasse melhor a gravidade, permanecendo ancorada ao aterro lateral

Isso ocorre porque uma das características do gabião-caixa é exatamente seu menor custo (e não o nível da tecnologia envolvida), e pode não fazer muito sentido trazer material de outras regiões para viabilizar seu uso. Por isso, um estudo logístico integra a determinação, em projeto, da melhor solução técnica para conter a erosão, caso a caso.

O resultado que se deve obter, no entanto, é um sistema de contenção que proporcione peso, rigidez e resistência necessários à estrutura, principalmente no caso dos muros de terra armada, que são obras de contenção por gravidade.

Pedras mais planas (pedras-espelho) podem ser colocadas na face frontal do muro, o que produz estética menos agressiva – até mesmo o uso residencial fica, assim, possibilitado.