Concreto pré-moldado em obras de infraestrutura é algo longe de ser inédito no Brasil, mas num monotrilho é novidade

A utilização do concreto pré-moldado em obras de infraestrutura, como pontes e viadutos, já é tradicional no Brasil e pode ser vista na maioria das grandes obras atuais. Na área de monotrilhos, no entanto, é recente como essa própria modalidade de transporte no país: antes do projeto paulistano, foram implantados apenas dois, em Poços de Caldas (MG) e Rio de Janeiro, ambos pequenos empreendimentos privados. Mas, no mundo, diversas cidades contam há anos com monotrilhos em seus sistemas públicos de transporte, como Las Vegas (EUA), Kuala Lampur (Malásia) e Tóquio (Japão), entre outras.

Algumas dessas obras são muito antigas. O monotrilho de Wuppertal, na Alemanha, por exemplo, foi construído em 1901 e ainda se encontra em funcionamento. A modalidade, diga-se, não é do agrado de todos. Ainda que o modal seja mais barato que o metrô convencional e exija menor tempo de implantação, críticos afirmam que o sistema degrada a paisagem e carrega relativamente poucos passageiros na comparação com um ramal metroviário comum.

FOTO: REPRODUÇÃO METRO-SP FOTO: REPRODUÇÃO METRO-SP

Obras da linha 15-Prata. À esquerda, operários montam ferragem in loco. À direita, cimbramento pré-concretagem

Para o pesquisador Daniel Mariani Guirardi, da Seção de Engenharia de Estruturas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo, a melhor opção construtiva para esse tipo de equipamento depende de cada situação.

“Deve-se sempre fazer um estudo prévio para definir o tipo de solução mais adequado: concreto pré-moldado, concreto moldado in loco ou estrutura metálica. São muitos os fatores que têm de ser levados em conta para se tomar essa decisão”, diz.

Na opinião de outro pesquisador do UPT, Raphael Baldusco da Silva, do Laboratório de Materiais de Construção Civil, a principal vantagem de utilizar peças pré-moldadas de concreto em obras como a do monotrilho é a elevada precisão dimensional de cada peça – no caso, as vigas -, pois os pneus dos trens as envolvem e qualquer erro pode causar desníveis que prejudicariam o movimento dos vagões.

“A modalidade também reduz eventuais vícios construtivos e os atrasos na execução”, observa. “Além do mais, o maior rigor utilizado na pré-fabricação das peças de concreto também costuma acarretar, depois, menores exigências de manutenção.”

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Com rede que prevê 77 km de extensão, o monotrilho de Kuala Lampur, capital da Malásia, foi inaugurado, em 2003, com 8,6 quilômetros

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O uso dos pré-fabricados dispensa a obstrução completa das vias e ainda garante menores exigências de manutenção depois da obra concluída

Por Alberto Mawakdiye