Saiba como é feita a recuperação das vigas de pontes e viadutos

A maioria das pontes e viadutos foi construída durante as décadas de 1960 e 1970 e, atualmente, boa parte delas necessita de obras de reparo e recuperação uma vez que o volume de veículos que transita pelas obras de arte cresceu muito, ocasionando um dos problemas mais comuns nesse tipo de construção: a fissuração. Em geral, esses danos ocorrem na superestrutura por estar mais exposta aos danos, principalmente aqueles ocasionados pelas intempéries. Aqui cabe destacar a diferença entre recuperação e reforço. Quando uma ponte ou viaduto é recuperado, a sua capacidade original é restituída. No reforço, que pode ser feito após a recuperação, utiliza-se técnicas no concreto armado, como fibras de carbono ou metálicas, que atribuem capacidade adicional ao original nas obras de arte. Antes de verificar se a ponte ou viaduto precisa de um reforço ou recuperação deve-se acompanhar a NBR 9.452, que foi revisada em 2016 e define o padrão de inspeção a ser seguido pela equipe. “Se tratando de uma viga longarina ou viga principal de pontes ou viadutos, terá que fazer uma inspeção desse elemento estrutural verificando todas as anomalias”, afirma o engenheiro civil Rafael Timerman, da Engenti Engenharia e Consultoria. Ao detectar uma fissuração, que normalmente é causada pelos choques de veículos, deve-se fazer um estudo para saber os procedimentos a serem tomados, que dependem de muitos fatores. Normalmente, são feitos testes para identificar se a fissura é ativa ou passiva por meio de selos de vidro que permitem o monitoramento do comportamento da obra e a aplicação da melhor forma de tratamento e recuperação.

Outro problema comum, devido ao grande acúmulo de poluição no ar, é a corrosão. As partículas corroem as armaduras colocando toda a estrutura em risco. Protege-se, normalmente, as estruturas que ficam aparentes aos agentes agressivos usando hidrofugantes e verniz, o que aumenta a vida útil das obras de arte. “Em casos mais críticos, podemos usar o cobre. Colocálo em contato com a armadura, para que o cobre seja oxidado antes da armadura”, explica o professor de engenharia da Unisinos Bernardo Tutikian. O ideal é proteger a estrutura para que a corrosão não entre em contato com a armadura do elemento.

As maiores dificuldades enfrentadas durante o processo de recuperação da obra é ter que executar com a ponte ou viaduto em funcionamento e a cultura dos brasileiros em postergar os problemas. “Só vai intervir em um elemento quando está ruim, vai postergando. No momento em que vai fazer a intervenção, os custos são mais elevados”, afirma o professor. Outra dificuldade levantada por ele foi a falta de especialistas em patologias. “É uma área que, infelizmente, em muitos cursos curriculares, nem está na disciplina da graduação. A maioria dos engenheiros e grandíssima maioria dos arquitetos se forma sem ter conhecimento das definições”, completa.

DANIEL BENEVENTI1. Diagnóstico 
Detecta-se o problema por meio da inspeção feita por equipe especializada. A confirmação da patologia pode ser feita de maneira visual, por meio de ensaios não destrutivos ou provas de carga. São realizadas pesquisas e análises para identificar a melhor forma de tratar o problema.

2. Tratamento
Por meio de um projeto feito pelos engenheiros responsáveis e o diagnóstico correto das anomalias, elimina-se a fonte geradora do problema. Aconselha-se evitar a umidade durante todo o processo, pois ela danifica a armadura. Os equipamentos usados não podem danificar mais a estrutura, portanto, utilizase o ultrassom ou pacometria.

3. Recuperação e reforço 
Feito o projeto e estancado o problema, deve-se recuperar a parte da obra danificada, que restaura a capacidade original. Feita a recuperação deve-se fazer o reforço da obra, em que costumam aplicar fibras de carbono. Essas etapas dependem do tipo de problema a ser resolvido.

4. Proteção e inspeção 
Depois de todo o processo de recuperação e reforço, a obra deve ser protegida superficialmente de maneira preventiva e corretiva. O processo evolutivo do problema tem que ser inspecionado pela equipe especializada e a inspeção mantida regularmente.

DANIEL BENEVENTI

Por Tayane Sette