Pontes estaiadas vencem grandes vãos com beleza arquitetônica

Para vencer grandes vãos com uma beleza arquitetônica de destaque, a ponte estaiada é uma opção muitas vezes preferida em relação às estruturas pênseis e fixas. A grande vantagem do modelo estaiado é transpor distâncias maiores, de acordo com Ary Goulart Curty Junior, diretor técnico-comercial da Alga Brasil, empresa que atua com estaiamento. “Ele permite vencer vãos que chegam a 1.000 m, enquanto a protensão comum atinge no máximo 220 m”, compara.

Pela expertise de Catão Francisco Ribeiro, diretor da empresa de projetos Enescil, a ponte estaiada é uma solução eficaz para vãos que medem entre 150 m e 1.200 m. “Nesse intervalo, é inclusive mais barata do que o sistema mais tradicional”, afirma.

FOTOS: DIVULGAÇÃO ENESCIL
Ponte estaiada na Marginal Pinheiros, em São Paulo, virou cartão-postal da cidade

Em projetos em que o vão excede 1.200 m, o uso da ponte pênsil é mais apropriado. “A altura da torre de uma ponte estaiada é o dobro da altura da torre de uma ponte pênsil”, compara Catão. “Em um vão de 1.000 m, a torre da ponte estaiada mede cerca de 200 m, e a da ponte pênsil, cerca de 100 m”, exemplifica.

Em vãos menores que 150 m, o estaiamento geralmente é utilizado como alternativa mais estética do que funcional. Nesses casos, a variável econômica da equação se inverte: a estrutura estaiada pode custar de 20% a 30% mais que a tradicional, na avaliação de Catão. “Por outro lado, acaba se tornando um marco arquitetônico da cidade ou região”, justifica.

“Quando nos perguntam se os projetos das pontes estaiadas são concebidos buscando somente a estética, temos respondido que não e sim pelo conjunto das características técnicas, da utilização e da finalidade da obra”, afirma Ubirajara Ferreira da Silva, vice-presidente da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE).

Uma obra desse tipo recentemente empreendida no País ilustra a escolha baseada pelo critério da estética: trata-se da ponte estaiada de Anápolis (GO), ainda em fase de conclusão. Ela integra o sistema BRT (Bus Rapid Transport, ou Transporte Rápido por Ônibus) da cidade, e o estaiamento foi realizado pela Alga Brasil. O diretor da empresa pondera que uma ponte tradicional seria viável para a necessidade a ser atendida nesse caso.

A escolha estrutural de uma ponte ou viaduto estaiado depende de uma somatória de condições, vinculadas principalmente aos elementos fornecidos para os estudos básicos da solução, segundo Ubirajara. “Além do local da obra e de sua previsão de extensão e altura, são considerados a correnteza das águas dos rios a ser ultrapassada, os tipos de materiais resistentes dos solos detectados pelas sondagens e os gabaritos de navegação, ferroviário ou rodoviário”, diz.

Composição 
A estrutura da ponte estaiada é constituída de feixes de cabos de aço, os estais, que ligam o tabuleiro a um mastro apoiado em um bloco de fundação. “Esse aço é semelhante ao da protensão, mas tem tripla proteção”, explica Curty. “Ele é galvanizado, engraxado com uma graxa especial e envolvido em polietileno de alta densidade. As cordoalhas, em um número que varia de 12 até 110, ficam dentro de outro tubo de polietileno, cuja cor depende da opção estética do projetista, podendo ser amarelo, branco, preto, cinza ou azul, por exemplo.” Compõem ainda essa estrutura blocos ou pilares de ancoragem. O custo desse tipo de obra fica em torno de R$ 20 mil por metro quadrado de tabuleiro, de acordo com Ubirajara.

São três as modalidades de tabuleiro usadas nas pontes estaiadas. O de concreto é o mais comum, segundo o diretor da Alga Brasil. “É recomendado para vãos entre 200 m e 440 m”, afirma Ubirajara.

O de estrutura mista, por sua vez, combina vigas ou aduelas metálicas e laje de concreto e é indicado para vãos de 440 m a 800 m. Existem ainda os tabuleiros metálicos, que, por serem mais leves, são mais apropriados para vãos maiores. “Acima de 800 m, as pontes pênsil já são muito usadas, desde que em suas extremidades existam rochas sãs para suporte das grandes forças atuantes”, diz o engenheiro da ABPE.

FOTOS: DIVULGAÇÃO ENESCIL
A fixação mais comum dos cabos de aço, os estais, é feita em forma de leque, convergindo para um ponto na torre

O mastro da estrutura pode ser único, central, mas pode haver mais de uma torre. Ubirajara observa que as soluções com três vãos, sendo o vão central maior, têm sido as preferidas pelos projetistas. Essa escolha depende muito do estudo do solo.

A disposição dos estais varia muito de acordo com cada projeto. A fixação mais comum dos cabos é feita em forma de leque, convergindo para um ponto na torre. Quando é feita em forma de harpa, os estais ficam paralelos entre si, partindo de pontos diversos do mastro. Os estais em leque requerem uma altura maior do mastro na comparação com os estais em harpa.

Por Edson Valente