Saiba como funciona a tecnologia das fôrmas trepantes

O sistema de fôrmas trepantes foi concebido para viabilizar a execução de estruturas de concreto verticais de grande altura, sobretudo em locais onde a concretagem em apenas uma etapa é inviável e a instalação de andaimes, onerosa demais. Em razão dessas particularidades, é indicado em obras de barragens, mastros de pontes e viadutos, caixas de escada ou elevadores, pilares e paredes maciças de concreto muito elevadas, além de estruturas com faces inclinadas (positivas e negativas).

Com as fôrmas trepantes, a execução da estrutura é feita por meio de ciclos verticais repetitivos, proporcionando rápida movimentação das fôrmas entre as etapas de concretagem.

O sistema pode ser estruturado com fôrmas modulares ou feitas sob medida, com elementos fabricados em alumínio. A utilização de fôrmas personalizadas é o ideal, já que essas se adaptam mais facilmente a diferentes geometrias de estruturas.

conjunto também é composto por cones de apoio e de posicionamento, que devem ser fixados na fôrma na etapa de concretagem. O perfeito posicionamento e concretagem desses elementos é um cuidado fundamental para garantir o desempenho do conjunto trepante, já que o sistema de ancoragem é o responsável por toda a segurança do sistema.

No canteiro, a etapa inicial da montagem é considerada crítica e, segundo especialistas, deverá ser dividida em várias fases até o içamento do conjunto total. Tanto as etapas de montagem como de desmontagem deverão ser executadas por montadores e carpinteiros capacitados e treinados para essa tarefa, a fim de garantir a qualidade e aplicação do sistema de acordo com os projetos fornecidos pelas empresas. As imagens, a seguir, detalham os principais componentes do sistema de fôrma trepante utilizado em obras.

DANIEL BENEVENTI

DANIEL BENEVENTI

1 Primeira seção
A primeira seção deve ser executada sem o console trepante. As fôrmas e seus componentes são montados e a junção das fôrmas é feita no conjunto, que deve seguir um ciclo vertical ou horizontal a partir desse ponto. Nessa etapa, é aplicado o óleo desmoldante de concreto na fôrma, são montados os pontos de posicionamento e a armadura é posicionada. Com a fôrma fechada e ancorada, executase a concretagem da primeira seção.

2 Desenformagem
Ao final desse processo de concretagem, é feita a desenforma. A fôrma deve ser desmontada, limpa e preparada para a próxima utilização. A plataforma de trabalho deverá ser suspensa por correntes especiais de içamento até o ponto indicado em projeto. O tirante de suporte de vento é fixado no perfil horizontal. A unidade de fixação do tirante de suporte é fixada na estrutura e esticada. Depois de reposicionar a unidade móvel para a unidade de trabalho com a grua, a mesma tarefa deverá ser executada com as fôrmas. As barreiras de proteção deverão ser fixadas no guarda-corpo. Com o sistema montado nessa posição e já com a fôrma fechada e ancorada, executa-se a segunda concretagem.

3 Suspensão
Depois de desenformar e limpar a fôrma, o próximo passo é executar os pontos de suspensão e prender o perfil de suspensão da plataforma suspensa pré-moldada. O tirante de suporte ao vento deve ser desmontado e o cabo da grua, preso nos pinos de suspensão dos perfis verticais. Após remover os pinos de aperto nos pontos de suspensão, a unidade móvel é suspensa novamente com o auxílio da grua protegendo a fôrma trepante nos pontos e suspensão com pinos de aperto. O perfil de suspensão deverá ser preso na plataforma suspensa. Depois de aplicar desmoldante de concreto na fôrma, é realizada a terceira concretagem.

Apoio técnico Osvaldo Comenale Gamboa, diretor técnico da Associação Brasileira de Fôrmas, Escoramentos e Acessos (Abrasfe)

Por Gisele Cichinelli