Conheça os detalhes das obras do Complexo Ponte Baixa, em São Paulo

O Complexo Ponte Baixa fica na zona Sul da cidade de São Paulo, próximo da Estrada do M’ Boi Mirim, em uma área de trânsito caótico por ser o principal eixo viário de acesso à região de Santo Amaro pelos moradores dos bairros Jardim São Luís, Jardim Ângela e Capão Redondo e dos municípios de Embu-Guaçu e Itapecerica da Serra.

Para desafogar o trânsito e estruturar o transporte coletivo nesse ponto de estrangulamento, está sendo construído desde 2013 um sistema viário composto de corredor de ônibus, três viadutos, avenida e ciclovia. O novo trecho ganhou, ainda, calçada verde, sinalização, iluminação e paradas de coletivo.

DIVULGAÇÃO: CONSÓRCIO CAMARGO CORRÊA-MENDES JÚNIOR
Novo sistema viário permitirá que os moradores do entorno economizem cerca de 30 minutos entre a casa e o trabalho

Paralela à Estrada do M’Boi Mirim, a nova Avenida Luiz Gushiken começa na Avenida Guido Caloi, com a qual faz ligação por meio de dois viadutos. Um terceiro permitirá a conexão com a estrada, junto à Rua Daniel Klein.

A Avenida Luiz Gushiken tem três faixas de rolamento em cada pista, sendo uma delas exclusiva para ônibus. Em maio deste ano, a prefeitura finalizou um novo trecho de 800 m, entre as ruas José Barros Magaldi e Amitaba, o que facilita o acesso a João Dias, por meio da Guido Caloi, para quem segue em direção ao Centro.

No total, são 2,3 km de via, em cada um dos sentidos. Para a execução da contenção, as encostas têm seis muros de arrimo, nos quais foram utilizados 1,5 mil m3 de concreto. O maior deles tem 8,5 m e está próximo ao Terminal Guarapiranga.

A nova avenida conta, ainda, com seis novos acessos, uma passarela metálica coberta com 27 m de extensão e uma ciclovia. A alameda dos ciclistas é bidirecional ao longo dos seus 800 m sobre a calçada, que recebeu sinalização horizontal e placas indicativas de trânsito de circulação exclusiva.

Ao longo da Avenida Luiz Gushiken, entre a Guido Caloi e a Rua Amitaba, foram instalados 60 semáforos, sinais para pedestres e 153 luminárias de 195 W do tipo LED. A velocidade máxima da via é de 50 km/h.

A mobilidade na região ganhou reforço com a construção de um corredor de ônibus na Estrada do M´Boi Mirim, por onde circulam 72 linhas. Os coletivos ligam bairros do extremo Sul a Santo Amaro e à região central.

O corredor tem 15 paradas e está integrado aos terminais de ônibus Jardim Ângela e Guarapiranga e às estações Socorro da linha 9 da CPTM e à de transferência Vitor Manzini. Para reduzir o tempo de locomoção, há pontos de ultrapassagem ao longo dos 8 km de faixa exclusiva.

A requalificação da Estrada do M’Boi Mirim incluiu a instalação de novas placas, semáforos e faixas de pedestre, além de melhorias nas calçadas, guias e sarjetas das vias. Iniciada em novembro de 2013, esta obra foi concluída em junho deste ano.

Além disso, foram alargadas as avenidas Guarapiranga e Guido Caloi, cujo terminal de ônibus ganhou uma alça de retorno. O Largo do Socorro recebeu um novo sistema de drenagem contra alagamentos.

Completa o novo sistema viário a construção de três viadutos. Dois deles estão em operação desde 2014 e dão acesso à Avenida Guido Caloi nos dois sentidos, tanto em direção à Ponte do Socorro, para retornar à Estrada do M’Boi Mirim, como à Ponte Transamérica.

Os dois viadutos, que fazem a ligação entre o bairro e o Centro, têm 340 m de extensão, 9,5 m de largura e duas faixas de rolamento, que permitem uma conexão com as Marginais de maneira expressa.

Ainda em construção, o terceiro viaduto, na Rua Daniel Klein, terá 434 m de extensão e 9,5 m de largura, e será executado em balanço sucessivo. A via fará a ligação entre a Estrada do M’Boi Mirim e a nova Avenida Luiz Gushiken. A entrega está prevista para março de 2017.

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o atraso deve-se às declarações nas posses das famílias que residiam à margem do viaduto nos processos de desapropriações das famílias. Em agosto, estavam construídos apenas as fundações e três pilares.

Em relação aos métodos construtivos, o viaduto de ligação bairro-Centro foi executado por meio do cimbramento total dos vãos. Já a via do sentido Centro-bairro foi edificada a partir de balanços sucessivos. Nos três casos, as fundações são em estacas escavadas com fluido estabilizante e 1,20 m de diâmetro.

Intervenção urbana
Segundo o prefeito Fernando Haddad, a intervenção urbana promovida pelo novo sistema viário permitirá que os moradores economizem cerca de 30 minutos no trecho entre a casa e o trabalho.

“Nunca mais teremos problema de trânsito. É um marco que será cumprido para o bem-estar da população. É liberar energia para as pessoas viverem melhor em São Paulo”, declarou Haddad durante a vistoria técnica realizada em agosto.

DIVULGAÇÃO: CONSÓRCIO CAMARGO CORRÊA-MENDES JÚNIOR
Atrasos na desapropriação de famílias postergaram as obras de alargamento da Rua Daniel Klein  

Na ocasião, o projeto estava 90% concluído. A ligação da Estrada do M’Boi Mirim com a Avenida Luiz Gushiken estará pronta, junto com toda a parte da canalização do córrego Ponte Baixa, até 30 de setembro, de acordo com o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras.

“O que ficará faltando? A conexão do viaduto Daniel Klein, pois tivemos atrasos na questão de desapropriação. O Judiciário atrasou alguns laudos. Vamos tentar entregar esse viaduto até março de 2017”, assegura o secretário Roberto Garibe. “Faltará, também, o alargamento da Rua Daniel Klein, porque toda a parte de desapropriação interfere na conexão do viaduto com a via. Então, estamos fazendo uma entrega em duas fases.”

Garibe define o projeto do Complexo Ponte Baixa como a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na cidade de São Paulo, cujo custo estimado é de R$ 765 milhões. Deste valor, cerca de R$ 300 milhões são oriundos do PAC. A prefeitura investiu por volta de R$ 200 milhões e o restante provém do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

O sistema viário terá como complemento o pontilhão do Embu, que é uma continuação da Estrada do M’Boi Mirim. “Ali era um gargalo tão grande que as pessoas desciam do ônibus para ir a pé, para ter uma ideia do fluxo na região no final do dia”, afirma Garibe. Outra obra em andamento é a via paralela à ponte do Aracati, localizada no final da estrada.

De acordo com o secretário, ainda existe um projeto de aumento da caixa para o transporte coletivo até a fronteira da cidade, que já está licitado. “É outro corredor da M’Boi Mirim. Já temos o processo de licença prévia ambiental e estamos conseguindo a de instalação, e discutindo toda parte de desapropriação.”

A Siurb afirma que, ao final da obra, cerca de 850 mil pessoas deverão ser beneficiadas. A execução está sendo realizada pelo consórcio formado pela Camargo Corrêa e Mendes Júnior.

Canalização de córregos
O projeto de urbanização visa, ainda, acabar com as enchentes na região com a canalização de dois córregos. Um deles é o Ponte Baixa, que deságua no Rio Pinheiros após percorrer trecho entre a Estrada do M’ Boi Mirim e a sua foz no canal do Guarapiranga.

DIVULGAÇÃO: CONSÓRCIO CAMARGO CORRÊA-MENDES JÚNIOR
O parque linear no bairro Jardim Letícia terá 14 mil m², sendo que 6 mil m² já estão prontos. Além do plantio de árvores, a área recebeu quadra e equipamentos esportivos e de lazer

O primeiro trecho das obras de canalização, entre o canal da represa de Guarapiranga até a Rua Frederico Grotte, começou no primeiro semestre de 2013 e foi concluído no fim do mesmo ano. Já a segunda parte, até a Rua Guilherme Valente, terminou no início de 2014.

A próxima e última etapa chegará até a Rua Daniel Klein. A obra aumentará a largura do canal de 4 m para 16,5 m. Até agosto, 2,8 km estavam canalizados, de um total de cerca de 3 km. O trecho pronto corresponde à foz do canal Guarapiranga, da Avenida Guido Caloi até a Rua Amitaba. A finalização está prevista para setembro de 2016.

A fim de aumentar a capacidade de escoamento do córrego Ponte Baixa e evitar novas inundações, houve a instalação de coletores-tronco para esgoto de 60 cm de diâmetro, em ambos os lados do curso d´água. Estava previsto um reservatório de amortecimento de cheias, com capacidade de 16,5 mil m3, mas estudos técnicos mostraram que o alargamento do canal suportaria a vazão.

Já o projeto do córrego Jardim Letícia, afluente da margem esquerda do Ponte Baixa, previu a canalização de uma extensão de 700 m. No entanto, a construção exigiu a desapropriação e demolição de moradias ao longo da margem.

Finalizada, a obra alterou o deságue para o sentido do rio, com a vazão sanitária mantida, seguindo o traçado original, com o objetivo de melhorar as condições de escoamento. Anteriormente, a vazão acontecia na direção oposta à da água. Também foram instalados degraus de amortecimento.

Nas escavações a seco, a equipe de engenharia utilizou ensecadeiras ou corta- -rios nos trechos abertos ou fechados do canal, com bombeamento da água, amparados por fundações em concreto ciclópico.

Nos trechos abertos, a sustentação é formada por sapatas pré-moldadas, uma de frente para a outra e com trecho central concretado in loco. Os vãos entre elas serviram para encaixar as paredes de concreto pré-moldado. Enquanto as partes fechadas receberam uma aduela fêmea (inferior) e outra macho (cobertura) de concreto pré-moldado.

DIVULGAÇÃO: CONSÓRCIO CAMARGO CORRÊA-MENDES JÚNIOR
Em maio deste ano foi finalizado o trecho entre as ruas José Barros Magaldi e Amitaba, facilitando o acesso para quem segue em direção ao Centro

O método de escoramento de vala empregado para a canalização do córrego é o Double Slide Rail (DSR). “É um sistema metálico com o qual conseguimos diminuir a interferência ao fazer a escavação somente no lugar onde ele está sendo aplicado. Isso evita a desapropriação de mais famílias”, explica Ariovaldo José Lopes, superintendente de Obras Viárias da prefeitura. “Foi utilizado em cerca de 300 m, onde havia um edifício residencial, que não precisou ser demolido.”

“É uma técnica que utilizamos para escavar verticalmente. Desta forma, não precisamos fazer a lateral do talude, quando fazemos a escavação. Tiramos menos terra e causamos menos impacto”, complementa Sérgio de Moraes Soares, engenheiro do consórcio formado pela Camargo Corrêa e Mendes Júnior.

Além do método alemão DSR, o projeto de engenharia previu o uso da técnica da parede diafragma para a contenção da escavação, sobretudo próximo ao desemboque, onde o canal possui 13 m de largura. Devido a esta técnica construtiva, a obra pode ocorrer simultaneamente às das fundações dos viadutos da Avenida Guido Caloi, que não precisou ser interrompida.

Já a questão ambiental do projeto está concentrada na criação de um parque linear, para conservação das margens e recuperação da Área de Preservação Permanente (APP) do córrego. Além disso, a nova área verde aumentou a permeabilidade do solo, o que ajuda a evitar alagamentos na região.

O parque linear terá 14 mil m², sendo que 6 mil m² estão prontos, no bairro Jardim Letícia. Além do plantio de árvores, a área recebeu uma quadra e equipamentos esportivos e de lazer. Está prevista a construção de um segundo local para prática de esporte.

“Tem uma função ambiental, porque trata-se de uma zona de APP. Estamos devolvendo para a cidade um trecho de parque linear, e retirando também famílias que estavam em área de risco, no Jardim Letícia, e que serão beneficiadas com apartamentos do Minha Casa Minha Vida”, afirma o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras.

Habitação social
Outro ponto do projeto do Complexo Ponte Baixa é a construção de três conjuntos residenciais, com recursos do programa Minha Casa Minha Vida. Os apartamentos serão entregues às famílias removidas e que tiveram seus imóveis desapropriados. Elas habitavam em locais que passariam por obras ou em áreas de risco.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), 1.409 famílias haviam sido removidas até agosto. Dentre elas, 1.117 ganhavam auxílio-aluguel e 92 haviam recebido indenização por benfeitoria.

Outras 200 foram atendidas com unidades habitacionais, no empreendimento Ponte Baixa A, entregue em julho deste ano. Já o condomínio Ponte Baixa B, com 280 unidades, está em construção e, segundo a Sehab, não há previsão de entrega.

Um terceiro conjunto habitacional (Guido Caloi), com 816 apartamentos, será destinado a famílias que aguardam em auxílio-aluguel. O empreendimento ainda está na fase de projeto e sem previsão de data de entrega.

Por Alexandre Raith