Telha zipada é alternativa para cobrir áreas extensas e planas

deais para coberturas de grande extensão e com pequena inclinação, as telhas zipadas podem ser montadas sobre qualquer tipo de estrutura – nova ou existente -, mesmo de concreto. Também são uma boa solução para a recuperação de coberturas existentes e o saneamento de lajes. As telhas zipadas são projetadas para uso em coberturas com extensões de captação de água a partir de 40 m, havendo telhas zipadas de 60 m ou até 120 m de comprimento em uma única peça. De acordo com a Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), são indicadas para coberturas planas com inclinações de até 2%.

Como são fabricadas no canteiro, dispensam o transporte, mas requerem uma área razoável para serem produzidas, além de equipe com mais pessoas para o manuseio das peças de grande comprimento.

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O processo de zipagem consiste na união de painéis ou bandejas por uma costura mecânica, sem deixar frestas entre os perfis

As telhas zipadas têm perfis bastante altos (100 mm/400 mm), que, devido às suas características, proporcionam maior espaçamento entre um apoio e outro (terças). Assim, o sistema possibilita a construção de estruturas com até 25 m de vão livre entre as terças, o que resulta em economia em relação ao custo estrutural.

O processo de zipagem consiste na união de painéis ou bandejas por uma costura mecânica, sem deixar frestas entre os perfis. Essa costura é realizada pela zipadora, equipamento específico para a composição dessas telhas. A zipadora faz a emenda de uma telha à outra ao ser deslocada ao longo das peças, enrolando as bordas sobrepostas das duas bandejas. “As telhas são contínuas e zipadas, sem furos, emendas ou sobreposições”, explica a arquiteta Eneida Jardim, membro da comissão executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA). Também não há necessidade de vedantes e selantes, os quais demandariam manutenção periódica.

“A junção de todos esses painéis ou bandejas resulta em uma cobertura única, estanque e impermeável e que se ajusta às dilatações térmicas – contrações e expansões do substrato devido às variações de temperatura”, explica Eneida.

As telhas zipadas são fabricadas a partir de bobinas, naturais ou pré-pintadas, em diversas opções de material – alumínio, aço galvanizado, zincalume, cobre e aço inox.

Antes de serem zipadas umas às outras, as telhas são perfiladas no próprio canteiro de obra. A zipagem dispensa o uso de parafusos, necessitando apenas de clipes deslizantes para prender as peças à estrutura de apoio. Esse tipo de clipe permite a contração e a expansão da chapa com as variações de temperatura.

Os clipes são posicionados em toda a extensão entre a cumeeira (ponto mais alto do telhado) e o beiral (ponto mais baixo) e alinhados em relação à terça e também paralelamente. A falta de alinhamento compromete a zipagem.

O sistema de telhas zipadas também não exige platibandas elevadas e reduz o volume interno da sub-região da cobertura, proporcionando economia nos sistemas de condicionamento de ar e nas estruturas de apoio da cobertura. As calhas intermediárias são eliminadas, o que dispensa o uso de redes coletoras de águas pluviais dentro do edifício. Dessa maneira, não há o risco de vazamentos e transbordamento das calhas internas, evitando a contaminação da rede de águas pluviais por roedores e insetos.

As telhas zipadas oferecem ainda outras vantagens. Entre elas, Eneida Jardim menciona a perfilação no canteiro de obra em qualquer comprimento – uma única peça pode ser montada da cumeeira ao beiral sem emendas ou sobreposições – e a possibilidade de execução de coberturas curvas. “Além de permitir a dilatação longitudinal sem comprometer a fixação, essas telhas também têm grande capacidade de escoamento de água, mesmo com baixa inclinação”, afirma a arquiteta. “Possibilitam ainda um alto padrão de acabamento e uma estética perfeita.” Um acabamento benfeito assegura a estanqueidade do sistema, pois evita acúmulo de água e infiltração nos arremates.

NORMAS TÉCNICAS

NBR 16.373:2015 – Telhas e Painéis Termoacústicos – Requisitos de Desempenho
NBR 15.253: 2014 – Perfis de Aço Formados a Frio, com revestimento metálico, para painéis estruturais reticulados em edificações – Requisitos Gerais
NBR 6.123: 1988/errata2: 2013 – Forças Devidas ao Vento em Edificações
NBR 6.355: 2012 – Perfis Estruturais de Aço Formados a Frio – Padronização
NBR 7.008: 2012 (seis partes) – Chapas e Bobinas de Aço Revestidas Com Zinco ou Com Liga Zinco-ferro Pelo Processo Contínuo de Imersão a Quente
NBR 14.513:2008 – Telhas de Aço Revestido de Seção Ondulada – Requisitos
NBR 15.578: 2008 – Bobinas e Chapas de Aço Revestidas Com Liga 55% Al-Zn Pelo Processo Contínuo de Imersão a Quente – Especificação
NBR 14.432: 2000/emenda1: 2001 – Exigências de Resistência ao Fogo de Elementos Construtivos – Procedimento
NBR 6.120: 1980/errata1: 2000 – Carga Para Cálculo de Estruturas de Edificações

Proteção
As chapas que compõem a cobertura devem ser protegidas por algum tipo de revestimento. Isso pode ser feito tanto por galvanização – zinco ou alumínio-zinco – como por um sistema contínuo de pré-pintura. Também é necessário providenciar um tratamento termoacústico. O mais usual é o sistema sanduíche, formado por uma base em telha trapezoidal comum, espaçadores metálicos, mantas de lã de vidro ou lã de rocha para o isolamento e, por fim, as próprias telhas zipadas.

Para a proteção contra incêndio, uma solução bastante recomendada é a aplicação de argamassa projetada na cobertura. O material isola o fogo e a fumaça, impedindo que a estrutura atinja temperaturas críticas. A argamassa é um produto com alto conteúdo de aglomerantes que é misturado à água para formar uma massa fluida que pode ser bombeada. Apresenta baixa, média ou alta densidade e é constituída primordialmente de gesso (cerca de 80% do peso seco), cimento Portland (nos casos de média e alta densidades), resinas acrílicas e cargas inertes, como poliestireno expandido, celulose e preservantes.

Entre algumas obras que utilizaram telhas zipadas no Brasil está a unidade Morumbi do Hospital Leforte, localizado na zona Oeste da cidade de São Paulo. O centro de distribuição Cisnes, em Louveira (SP), também adotou esse tipo de cobertura em dois galpões que totalizam 22.754 m² de área construída.

Por Edson Valente