Veja como deve ser feita a instalação de poços de visita monolíticos de polietileno

Resolver o problema de infiltração na rede de esgotamento sanitário é a principal promessa dos poços de visita (PV) feitos de polietileno rotomoldado, que têm ganhado maior visibilidade no Brasil recentemente. Totalmente estanques, os chamados PVs monolíticos em polietileno (PE) impedem que a água infiltre, ao contrário daqueles construídos de concreto e alvenaria que, com o tempo, racham e tornam a rede de esgoto subdimensionada e transbordam o esgoto (que precisa ser bombeado) para o sistema de drenagem existente ou para cursos d’água.

A peça é composta de quatro partes: no topo, a chaminé (ou prolongador) tem 0,60 cm de diâmetro nominal (DN) e 0,50 cm de altura; o cone conecta-se ao elevador, e a base (de 1 m DN) abriga até cinco canaletas de entrada e uma de saída (todas com DN entre 150 mm e 300 mm). Anéis de elastômero fazem a vedação das conexões, que permitem adaptadores de transição para tubos de outros materiais (tubos de PVC liso ou corrugado).

Além de serem peças únicas e 90% mais leves do que o concreto (facilitando o transporte e manuseio), os PVs de polietileno são inquebráveis, indeformáveis e exigem escavações 50% menores. A profundidade da vala varia de 1,30 m a 4 m, conforme a topografia do lugar, podendo ser utilizados prolongadores de altura.

Com valas menores (a cada 70 m), a obra incomoda menos a população. As conexões são feitas de forma mais rápida e o serviço completo, com apenas uma equipe, leva de três a quatro horas contra três dias do sistema convencional. No entanto, segundo o diretor presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Saneamento Básico em Guarulhos, engenheiro Plínio Thomaz, que já instalou PVs de PVC em ruas de terra, “as motoniveladoras que faziam o asfaltamento destruíram a chaminé do PV e tivemos que refazer tudo em alvenaria e concreto”. Para ele, “o assunto ainda é novo e as concessionárias de água e esgoto ainda preferem os PVs convencionais devido a problemas de manutenção”.

Em regiões litorâneas, a água do subsolo tende a fazer o PV flutuar, por isso, o elevador possui anéis que ajudam na ancoragem. O PV também deve ser preso com vergalhões e a uma fôrma perdida – que não é retirada depois – na base, que é preenchida com concreto.

Ainda não há uma norma técnica brasileira para os PVs de polietileno, mas o mercado se baseia na Norma Técnica da Sabesp NTS 234 e na norma europeia DIN EN 13.598-2. Com vida útil acima de 50 anos, o PV de polietileno tem seu interior extremamente liso e, graças ao baixíssimo atrito, nem insetos conseguem se agarrar em suas paredes.

DANIEL BENEVENTI

1 Preliminares

Tendo em mãos o levantamento topográfico para, sobretudo, conhecer os seus graus de declividade, obstrua, com bloqueadores (obturadores de borracha ou lona) a linha de drenagem existente, sinalize a obra e desvie o trânsito local.

2 Escavação da vala
Considere a largura máxima do PV acrescida de 30 cm de cada lado da parede. Se o local já for asfaltado, recorte o piso com um clipper ou o picote com martelete hidráulico na dimensão a ser escavada. Para abrir a vala, utilize escavação mecânica até próximo das tubulações. A partir daí, escave manualmente e, se necessário, providencie escoramentos.

3 Fundo da vala
Em solo seco, requer apenas um berço de 15 cm de areia ou terra bem compactada. Se houver lençol freático ou água infiltrada, antes de fazer o berço, execute drenos de desvio, rebaixe o lençol e utilize rachão britado para estabilizar o fundo. Pode-se ainda ancorar o poço.

4 Marcações e furações
Desça o PV até o fundo da vala e gire a peça até coincidir os pontos de entrada de saída com os tubos existentes. Faça as marcas onde devem ser feitos os furos na base do poço (se preciso, no elevador, somente entre as nervuras). Retire o PV da vala e fure com serra copo.

5 Anel de borracha
Fixe os lábios do anel de borracha contra a parede do PV.

6 Corte da chaminé
Se houver desnível de pavimento, o topo da chaminé deve receber um corte inclinado para que acompanhe o nível da rua.

7 Reaterro da vala
Execute a compactação manual da terra até cobrir os tubos. Depois, faça a compactação mecânica em camadas de 50 cm até a superfície da vala.

8 Assentamento
Envolva a chaminé com uma laje de concreto armado sustentada em solo. É fundamental manter uma distância de 5 mm do final do prolongador mais a altura do tampão (0,085 m – 0,10 m), para que a laje não fique apoiada no corpo da chaminé e não faça pressão sobre o PV.

9 Acabamento
O tampão deve ser apoiado na laje e envolvido em argamassa. Deixe um rebaixo de 3 cm ou 4 cm na base de concreto para a camada asfáltica e preserve o local até a cura do concreto.

Por Nathalia Barboza