Aeroporto internacional do Rio de Janeiro conclui obras para atender público da Olimpíada

Após quase dois anos em obras, o Riogaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim inaugurou em maio uma nova área de 100 mil m². O Píer Sul, construído como uma expansão do Terminal 2, integra uma série de reformas necessárias para receber cerca de 1,5 milhão de passageiros esperados para assistir aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

A modernização é fruto de uma concessão obtida em agosto de 2014 pela concessionária Riogaleão, formada pela Odebrecht TransPort, Changi Airports International e Infraero. Com o apoio da estatal, as empresas serão responsáveis pela administração e operação do aeroporto até 2039, graças a uma oferta de R$ 19 bilhões, 294% acima do lance mínimo estabelecido pelo Governo Federal. O grupo já investiu R$ 2 bilhões e estão programados mais R$ 3,2 bilhões até o fim do contrato.

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Reformas foram necessárias para atender a aproximadamente 1,5 milhão de passageiros esperados para a Rio 2016

Para oferecer mais conforto, eficiência e segurança, o pátio de taxiamento do aeroporto passou de 500 mil m² para 760 mil m², com 97 novas posições de estacionamento de aeronaves. Já o Píer Sul conta com 26 novas pontes de embarque, das quais três delas possuem especificações técnicas para acomodar os maiores aviões do mundo.

Para receber os jatos de código F, o consórcio precisou realizar adaptações. Na ligação entre a pista principal e o pátio, as aeronaves passam por um viaduto, que foi construído na década de 1970 e, portanto, dimensionado para o maior avião daquela época.

No entanto, o Boeing 747-800, de 76,30 m de comprimento e 68,70 m de amplitude das asas, e o Airbus 380, de 72,7 m de comprimento e 79,8 m de envergadura, são mais longos e largos. Por isso, a concessionária teve de alargar um dos dois viadutos existentes no aeroporto.

FICHA TÉCNICA
Obra: Aeroporto Internacional Tom Jobim (Píer Sul e Terminal 2)
Data de início: agosto/2014
Data de término: abril/2016
Valor de investimento: R$ 2 bilhões
Investimento: R$ 2,2 bilhões
Área inaugurada: 100 mil m² (píer)
Volume de concreto: 151,4 mil m³
Volume de aço: 40 mil kg
Área comercial: 24 mil m²
Edifício-garagem: 2,7 mil vagas
Número de funcionários: 7 mil
Total de companhias aéreas: 27
Área total do pátio de aeronaves: 760 mil m²
Área total dos terminais: 416 mil m²
Capacidade total de passageiros: 30 milhões

Em parceria com a Changi e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi desenvolvida uma técnica para criar um gradil, que alargou o tabuleiro do viaduto, e uma espécie de guardrail ao longo da via, que evita a saída da rota da aeronave. Por ser um cruzamento essencial entre a pista e o pátio, as obras aconteciam durante a noite e em algumas janelas de voo, em momentos de baixa movimentação.

Estrutura operacional
Os terminais 1 e 2 e o Píer Sul somam 416 mil m² de área, e estão aptos a receber 27 companhias aéreas, cinco a mais do que era possível antes da reforma. Para isso, o Terminal 2 ganhou 63 novos balcões de check-in e um sistema de bagagem que comporta sete mil malas por hora.

Segundo a concessionária Riogaleão, a atual estrutura do Tom Jobim tem capacidade para 30 milhões de passageiros. No ano passado, recebeu cerca de 17 milhões. O número indica potencial de crescimento, sobretudo se compararmos com os terminais de maior circulação no mundo.

O aeroporto de Atlanta, por exemplo, registrou 100 milhões de passageiros em 2015, enquanto 78 milhões passaram pelo de Dubai e 65 milhões pelo Charles de Gaulle, em Paris. Guarulhos (SP) tem disponibilidade para receber 42 milhões de viajantes.

Já a Área Bruta Locável (ABL) para operações comerciais aumentou de 10 mil m² para 24 mil m², das quais 8 mil m² são reservados a Duty Free. De acordo com a Riogaleão, 85% do espaço estão comercializados e há uma previsão de atingir a marca de 200 novos estabelecimentos até a Olimpíada. Os passageiros ainda poderão desfrutar o conforto de quatro salas vips, que serão operadas por companhias aéreas.

Para garantir a movimentação de milhares de passageiros, a Riogaleão instalou no Píer Sul seis escadas rolantes e 14 esteiras de até 100 m, além de quatro elevadores. Enquanto o Terminal 2 ganhou seis pórticos de raio x, 14 elevadores e 16 escadas rolantes. Em relação à acessibilidade de portadores de necessidades especiais, a concessionária implantou plataforma, piso tátil e totem com informações operacionais.

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Para garantir o melhor fluxo de passageiros, no Píer Sul foram instaladas seis escadas rolantes e 14 esteiras de até 100 m, além de quatro elevadores

Os investimentos do consórcio também foram direcionados à reforma do edifício garagem, que conta, agora, com 2.700 vagas distribuídas em sete andares. Antes da reforma, eram três pavimentos, com mil lugares. No total, o Aeroporto Internacional Tom Jobim disponibiliza mais de sete mil espaços para carros em todos os estacionamentos.

Apesar da reformulação para o aumento da oferta de vagas, os passageiros têm facilidade para acessar o Riogaleão via transporte público. As obras de preparação para os Jogos Olímpicos, por parte da prefeitura, incluíram a reconfiguração do aeroporto dentro do plano de mobilidade urbana da cidade. Além dos ônibus comum e especial, é possível ir e vir pela linha de BRT Transcarioca. Inaugurado em 2014 para a Copa do Mundo, o corredor expresso liga a Barra da Tijuca à Ilha do Governador.

Obras de expansão
As obras do novo Píer Sul iniciaram-se após um levantamento das condições das áreas que sofreriam intervenção. Em seguida, vieram as etapas do processo de licenciamento ambiental e de planejamento. Com a definição das metodologias construtivas, o consórcio começou a construção da nova área de embarque e a reforma do edifício garagem.

“Fizemos o mapeamento e a delimitação das áreas que seriam expandidas. Depois, trabalhamos o grande volume de obra de terraplanagem. Em seguida, iniciamos a fundação do novo píer, já que o edifício- garagem era uma expansão de pavimento, sem serviços de fundação”, explica Simone Mendonça, gerente de engenharia do Riogaleão. “Depois, partimos para a realização dos projetos executivos e o início das obras de estrutura e acabamento.”

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Com o Píer Sul, a Área Bruta Locável (ABL) para operações comerciais do Galeão passou de 10 mil m² para 24 mil m²

A linha norteadora do projeto executivo surgiu de um estudo preliminar desenvolvido por uma empresa canadense de consultoria. O desafio era o de construir em 18 meses, antes do início dos Jogos Olímpicos, quatro níveis no edifício garagem, um píer de 100 mil m² e um pátio de aeronaves de 260 mil m², com 26 posições, contíguo ao que existia no Terminal 2. A criação do píer também cumpre a exigência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em relação ao porcentual de aeronaves que o aeroporto é obrigado a operar com pontes.

“O primeiro desafio era o tempo. Tínhamos uma Olimpíada pela frente e um atraso não era aceitável. Datas de entrega deveriam ser mantidas e em um tempo muito curto. O segundo era a reforma do aeroporto em operação, o que exigia um planejamento com a operação aeroportuária e com a torre de controle”, conta Simone. “O terceiro era o cronograma de logística, pois os equipamentos como pontes de embarque, escadas rolantes e sistema de bagagem são importados.”

Para correr contra o tempo, o consórcio Riogaleão optou por metodologias construtivas que proporcionassem mais agilidade. “Como o píer não tinha vãos tão grandes, com modulação entre 10 m e 15 m, optamos por utilizar pilares prémoldados e lajes alveolares, ambos fabricados fora do canteiro”, afirma a engenheira.

Além disso, o consórcio contratou três fabricantes de pré-moldado. Em forma de T, cada contratante produzia o material para um dos três lados do píer, que foram construídos simultaneamente até se encontrarem no centro.

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A construção de quatro níveis do Edifício-garagem usou a tecnologia bubbledeck, sistema mais indicado por utilizar um volume menor de concreto e eliminar a necessidade de vigas

Outra saída foi a utilização de painéis de vidro ou de alumínio para a fachada, em vez da tradicional parede de alvenaria, a fim de ganhar agilidade de execução e na precisão. Para a cobertura, manteve-se o padrão do aeroporto, de estrutura metálica com telha sanduíche, em alumínio.

Já a tecnologia empregada para a construção do edifício garagem é a bubbledeck, que utiliza esferas de plástico no lugar do concreto que, neste caso, não desempenha a função estrutural. O sistema é composto por esferas de polipropileno inseridas de forma uniforme entre duas telas de aço.

Segundo a gerente de engenharia, o vazio dentro da laje possibilita economia do volume do concreto, além de eliminar a necessidade de vigas. “O que é muito importante para a questão de um edifício garagem, porque ganha no pé direito. Existe uma pré-laje, de 4 cm a 5 cm de altura. Em cima, colocamos as esferas e as gaiolas de aço, que fazem a armação da laje. Devido aos vãos grandes, se mostrou a metodologia mais apropriada”, afirma Simone. Na cobertura, painéis de lona protegem automóveis e clientes.

Finalizada a primeira das quatro etapas de investimento previstas no contrato de concessão, as próximas obras de expansão dependem do crescimento da demanda de passageiros do aeroporto. A engenheira da concessionária Riogaleão afirma que a ideia é iniciar uma nova fase a cada oito anos.

“Nosso trabalho após a Olimpíada é justamente rever e reestudar as outras fases. O plano diretor tem previsão de novo píer e ampliação de pistas de rolamento. Tem crescimento pela frente, mas ele precisa ser revisto. Hoje, vemos que as necessidades são um pouco diferentes daquelas colocadas no passado”, afirma a engenheira.

Fundação
Devido ao terreno mole, a concessionária realizou a troca de solo na área de construção do Píer Sul e optou por utilizar estaca escavada na fundação e estaca raiz em áreas de difícil acesso.

Em relação ao edifício-garagem, o projeto original desenvolvido pela Infraero já continha os sete pavimentos atuais, mas foram construídos somente três. Sem a necessidade de interferir na fundação, a concessionária realizou apenas um levantamento da situação em que se encontrava a estrutura existente.

O prédio de 20 anos, feito com steel deck, tinha pontos de corrosão devido à proximidade com o mar, que foram combatidos com procedimentos de recuperação e tratamento em toda a área metálica.

Tecnologia de segurança
O plano de modernização do Aeroporto Internacional Tom Jobim incluiu o uso de tecnologias de segurança, como a instalação de 19 portas eletrônicas nas áreas de embarque e de migração, que são acionadas por meio de leitores de código de barras dos cartões de embarque. Oito portões estão localizados no Terminal 1 e outros 11, no Terminal 2.

Além disso, o controle migratório da Polícia Federal passou a contar com 12 eGates, que permitem a autenticação automática do passaporte e o reconhecimento da biometria facial do passageiro que embarca e desembarca de voos internacionais no Terminal 2. O sistema pode ser utilizado por cidadãos brasileiros acima de 18 anos com passaporte eletrônico com chip.

A concessionária previu, ainda, a criação de um novo centro de operações, que irá concentrar todas as equipes envolvidas na operação e gestão aeroportuária, inclusive o controle de pátio, que até então era de responsabilidade da torre de controle.

Concessões de aeroportos

Nos últimos anos, a ampliação de investimentos em infraestrutura aeroportuária deve-se a um modelo de concessões implantado pelo Governo Federal, por meio do Programa de Investimentos em Logística (PIL). O objetivo é o de modernizar os espaços, implantar tecnologia e aumentar o nível de qualidade dos serviços prestados.

Em parceria com a iniciativa privada, a Infraero, que conta com uma rede de 60 aeroportos, tornou-se sócia das concessionárias (49%). Após o período de transição, os consórcios assumem integralmente as operações. Porém, a empresa pública permanece com a participação societária, a fim de assegurar o recebimento de dividendos e a indicação de membros aos conselhos de administração e fiscal.

O plano de concessões elaborado pelo Governo Federal foi dividido em quatro lotes. O primeiro aeroporto concedido foi o de São Gonçalo do Amarante, em Natal (RN), em janeiro de 2012. Na segunda fase, os aeroportos internacionais de Brasília (Presidente Juscelino Kubitschek), Guarulhos (André Franco Montoro) e Campinas (Viracopos) passaram para a iniciativa privada no mês de julho do mesmo ano e arrecadaram juntos cerca de R$ 25 bilhões.

Os aeroportos internacionais do Rio de Janeiro (Galeão – Antônio Carlos Jobim) e de Minas Gerais (Confins – Tancredo Neves) foram arrematados no terceiro lote, cujo leilão foi homologado em janeiro de 2014. No caso carioca, o consórcio vencedor ofereceu R$ 19 bilhões, enquanto no mineiro o direito de operação saiu por R$ 1,8 bilhão. Integram o quarto lote de concessões os aeroportos internacionais de Fortaleza (Pinto Martins), Salvador (Deputado Luís Eduardo Magalhães), Florianópolis (Hercílio Luz) e Porto Alegre (Salgado Filho). O leilão desta fase está previsto para o segundo semestre. Segundo a Secretaria de Aviação, as concessionárias devem investir R$ 7 bilhões em melhorias estruturais.

O aeroporto de Cuiabá (Marechal Rondon) foi incluído no Programa Nacional de Desestatização (PND), em abril. No momento, a Secretaria de Aviação realiza o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para as empresas interessadas em realizar os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA).

Por Alexandre Raith