Pontes Laguna e Itapaiúna remodelam sistema viário na zona Sul de São Paulo

As pontes Laguna e Itapaiúna são a concretização de uma grande leva de investimentos recentes na remodelação viária nos bairros Morumbi e Chácara Santo Antônio, na zona Sul da cidade de São Paulo. Essa região abriga o principal eixo de desenvolvimento imobiliário da capital paulista, onde estão sendo erguidas edificações corporativas, residenciais e complexos comerciais. Em torno das obras da iniciativa privada, há um conjunto de projetos para desafogar o trânsito pesado nas vias, um dos principais gargalos da região. Além das pontes, outro projeto importante de mobilidade é o prolongamento da Av. Dr. Chucri Zaidan, abrindo novos caminhos nesses bairros para motoristas e usuários do transporte coletivo.

Boa parte dos recursos para as pontes é custeada pelos títulos negociados dentro da Operação Urbana Água Espraiada, aprovada em 2001, cujo orçamento é de R$ 3,4 bilhões. Outra parte dos recursos é uma demanda direta da prefeitura como contrapartida pelos megaempreendimentos que intensificarão o movimento de veículos nos seus arredores.

Ponte Laguna, inaugurada em maio, tem 365 m de extensão. Obra foi baseada em concreto estrutural armado protendido e balanço sucessivo

A Ponte Laguna foi entregue em maio, resultante de um investimento de R$ 150 milhões provenientes da Operação Urbana Água Espraiada. A execução ficou por conta do consórcio Construbase/SA Paulista.

A 900 m dali, a Ponte Itapaiúna será entregue em setembro. Seu custo foi de R$ 145 milhões, uma contrapartida exigida pelo poder público para liberar os empreendimentos Parque da Cidade e Praça São Paulo, compostos por um conjunto de 14 torres. As obras da ponte e dos empreendimentos imobiliários são da construtora Odebrecht.

Laguna
A ponte tem mão única e será uma alternativa à Ponte João Dias. O acesso se dá pela Rua Laguna e pela Marginal Pinheiros para os motoristas que seguem no sentido da Rodovia Castelo Branco e cruzam o Rio Pinheiros mudando o sentido para Interlagos. A pista de descida do outro lado do rio fica localizada na altura do Parque Burle Marx. A extensão da ponte é de 365 m, com três faixas de rolamento e 18,60 m de largura.

DIVULGAÇÃO: SIURB
Com 654 m de extensão, estrutura da Ponte Itapaiúna teve 70% de trechos cimbrados moldados in loco e 30% em balanços sucessivos

O projeto também privilegiou ciclistas e pedestres. A ciclovia da ponte Laguna é bidirecional e conta com 3,5 m de largura. Ela tem conexão prevista com as ciclovias das avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Chucri Zaidan, além da Marginal Pinheiros. Já a passarela para pedestres possui 2 m de largura.

O sistema construtivo utilizado na execução se baseou na utilização de concreto estrutural armado protendido e balanço sucessivo para as travessias sobre o rio, a marginal e as interferências locais. Na fundação, o consórcio construtor priorizou o uso de estacões e estacas-raiz por meio da utilização de máquinas no terreno firme e sobre a lâmina de água. A Ponte Laguna tem seis pilares como sustentação, com vãos de 51 m e 105 m.

As construtoras envolvidas nas obras do complexo viário Laguna-Itapaiúna empregaram sistemas de ancoragem para o travamento das fôrmas de concreto, que foram executados com barras de aço laminado a quente, de alta resistência e durabilidade.

Itapaiúna
A Ponte Itapaiúna tinha 85% de sua obra concluída até o início de maio, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), responsável por fiscalizar a construção. A entrega em setembro terá nove meses de atraso em relação ao prazo estabelecido inicialmente. O atraso foi justificado em função do excesso de chuvas no início do ano, da demora nas desapropriações de imóveis e da lentidão nas ações feitas em conjunto com concessionárias. Além da complexidade da execução das obras das pontes sobre o rio e as pistas, as construtoras também tiveram que contornar outros obstáculos locais, como as torres de transmissão de energia, as redes de água e gás e a linha do trem.

A Ponte Itapaiúna terá 654 m de extensão, três faixas de rolamento em mão única no primeiro trecho e duas faixas no segundo trecho. O acesso – exclusivo para motoristas que trafegam no sentido Interlagos – será pela Rua Itapaiúna e pela Marginal Pinheiros, com saída na pista local da Av. das Nações Unidas, do outro lado do Rio Pinheiros, em direção à Rodovia Castelo Branco. Ao contrário da Laguna, não haverá traçado para ciclistas.

A Odebrecht iniciou as obras pela execução das fundações e dos pilares de apoio, seguida pela montagem dos cimbramentos e das fôrmas para a implantação do tabuleiro. Depois disso, a equipe iniciou a execução do tabuleiro no trecho em balanço sucessivo, simultaneamente ao viário da Rua Itapaiúna e adjacente, bem como a obra off-shore. Para a parte final restaram pavimentação, sinalização e iluminação.

A estrutura da Ponte Itapaiúna foi projetada em concreto armado protendido moldado in loco. Ela emprega, basicamente, duas metodologias construtivas: 70% em trechos cimbrados moldados in loco e 30% em balanços sucessivos no vão de 95 m sobre o Rio Pinheiros.

DIVULGAÇÃO: SAS PROTENSÃO

A fundação da ponte é de bloco de concreto armado moldado in loco sobre estacões. Já para as obras provisórias e off-shore foram adotados três tipos: direta do tipo radier (sapata ou laje sobre solo reforçado); bloco sobre estacas pré-moldadas; e bloco de fundação em concreto armado moldado in loco sobre estacões.

Para garantir a estabilidade das estruturas cimbradas da ponte, a construtora eliminou os riscos de recalque em função das características do solo da região com a adoção de bases estaqueadas e utilização de estacas pré-moldadas pontuais para a sustentação de treliças metálicas. O acabamento lateral está sendo feito em new jersey e placas de concreto pré-moldadas.

A Odebrecht teve de desenvolver soluções de engenharia executiva para as fundações dos blocos nas margens direita e esquerda do Rio Pinheiros. No primeiro, foram trocados os tubulões a ar comprimido para estações escavadas, com escavação de quatro estacões por dentro de tubulões já avançados em 17 m. No segundo, a construtora viabilizou a execução da estrutura (fundações e bloco) com a implantação de um aterro de conquista adentrando os limites da margem direita do rio, com sequência em cravação de estacas pranchas.

Em relação às interferências no local, a Odebrecht teve de providenciar a elevação das linhas de transmissão da Eletropaulo de 12 m para 26 m, além da proteção da rede de gás da Comgás por meio de envelopamento em pré-moldados. A obra ainda exigiu a desapropriação de 13 imóveis, a troca de lugar de 298 árvores e o plantio de outras 359 árvores como contrapartida ambiental.

Revitalização urbana
Outra obra viária importante da Operação Urbana Água Espraiada é o prolongamento da Av. Dr. Chucri Zaidan até a Av. João Dias. Esse novo trajeto terá 3,2 km, incluindo um túnel de 880 m. Além disso, a via contará com duas pistas, cada uma com quatro faixas de rolamento. As faixas da esquerda serão reservadas aos corredores de ônibus, que deixarão de circular pela Marginal Pinheiros. A obra deste trecho depende de desapropriações que já estão em andamento e deve ser concluída no primeiro semestre de 2018.

Segundo a SP Obras, o aumento da capacidade viária nessa região será essencial para a consolidação do transporte público por meio de ônibus, o que ajudará a retirar carros das ruas. Os trajetos também contarão com ciclovias que fazem a ligação entre si e os bairros. As pontes Laguna e Itapaiúna, por sua vez, têm a função de diminuir os congestionamentos de carros na Marginal Pinheiros ao oferecer a opção de transposição do rio.

Polos geradores de tráfego
A construção de dois empreendimentos próximos da Marginal Pinheiros, pela construtora Odebrecht, motivou a Prefeitura de São Paulo a exigir contrapartidas para atenuar a geração de tráfego na região. Os complexos imobiliários Parque da Cidade e Praça São Paulo ocuparão dois terrenos que somam cerca de 100 mil m², onde serão construídos um total de 14 torres de uso residencial, comercial, hoteleiro e shopping center.

Pelo Parque da Cidade devem circular 65 mil pessoas diariamente, das quais 25 mil fixas e 40 mil entre pedestres e moradores do entorno. Já a previsão de ocupação do Praça São Paulo é de 6 mil pessoas.

DIVULGAÇÃO: ODEBRECHT
Para liberar os projetos Praça São Paulo (imagem) e Parque da Cidade, prefeitura exigiu construção da Ponte Itapaiúna

Por isso, a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) firmou um Termo de Compromisso e Autorização (TCA) com a Odebrecht para a construção da ponte Itapaiúna e obras viárias de acesso que integram a Operação Urbana Água Espraiada.

Segundo a Odebrecht, a contrapartida representa investimentos na ordem de 5% do custo de construção, para cada empreendimento. Ao mesmo tempo, o Parque da Cidade está investindo cerca de R$ 250 milhões em Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), com a verba sendo destinada ao plano de operação urbana.

O empreendimento multiuso Parque da Cidade ocupa um terreno de aproximadamente 84 mil m² e será composto por dez torres: cinco corporativas, uma de salas comerciais, duas residenciais, um shopping e um hotel. No total, a área construída projetada atingirá 600 mil m². A conclusão total está prevista para 2022. Haverá também 22 mil m² de área verde, que será aberta ao público e contará com infraestrutura de serviços e lazer, como restaurantes, playgrounds, ciclovias, quiosques, espaços de convivência e praças.

Já o empreendimento Praça São Paulo contará com quatro torres, sendo três delas de escritórios. A quarta edificação será multiuso e abrigará um hotel, com 209 quartos, 100 salas comerciais, 157 apartamentos e um centro de compras com 16 lojas. Distribuído em uma área de 17 mil m², o complexo terá uma praça aberta à população de aproximadamente 3.600 m². A entrega completa está prevista para o primeiro semestre de 2018.

Por Alexandre Raith