Corredor Leste-Oeste ligará extremos de São Bernardo do Campo, em São Paulo

A cidade de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, passa por uma grande remodulação viária para estruturar o transporte coletivo numa região marcada pelo grande adensamento populacional e pelo movimento pendular dos trabalhadores que saem do município em direção à capital estadual pela manhã e fazem o caminho contrário no fim do dia, gerando grandes congestionamentos. O maior projeto dessa reformulação é o Corredor Leste-Oeste, com 13 km de extensão. Ele começa perto da Rodovia dos Imigrantes, na zona Oeste, corta São Bernardo do Campo, passa sobre a Rodovia Anchieta e segue em direção à Praça dos Bombeiros, na outra ponta da cidade. Para concretizar esse percurso, o projeto envolve a desapropriação de 200 imóveis, a construção de três viadutos novos e a duplicação de diversas vias.

Viaduto sobre a Av. Robert Kennedy tem construção em estrutura metálica e concreto

As obras já estão em andamento, e a expectativa da prefeitura é que até o fim de 2017 o corredor esteja integralmente em funcionamento. Já os viadutos ficarão prontos no segundo semestre de 2016, segundo o cronograma. Com o conjunto de corredores de ônibus em operação, a capacidade de transporte de passageiros será ampliada em 40%, enquanto a velocidade de tráfego dos ônibus tende a subir 30%, de acordo com os estudos da prefeitura para esse percurso.

O projeto do Corredor Leste-Oeste está dividido em dois lotes. O primeiro tem as obras concentradas na zona Oeste, entre a Rodovia dos Imigrantes, na divisa com Diadema, e o Viaduto Tereza Delta, sobre a Rodovia Anchieta. Esse lote também inclui a construção do Viaduto da Praça dos Bombeiros, na zona Leste. Ele será executado pelo consórcio Mobilidade SBC, formado pelas empresas OAS e Constran, que receberá R$ 209,1 milhões. Já o segundo lote compreende o trecho restante, concentrado na zona Leste, e será executado pelo consórcio formado pelas construtoras Encalso e Convap ao custo de R$ 126,1 milhões.

O projeto executivo foi desenvolvido pelo consórcio constituído pelas empresas Planservi Engenharia e Oficina, enquanto a obra é acompanhada pelo consórcio entre as empresas Sondotécnica e Diagonal, que atuam como gerenciadoras.

Os recursos requeridos para a obra totalizam R$ 419 milhões, sendo R$ 247 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – R$ 165 milhões de financiamento e R$ 82 milhões do Orçamento Geral da União – e R$ 172 milhões do município.

O projeto ainda prevê passagem de dutos para infraestrutura e telecomunicações. São seis dutos, para cabos do sistema semafórico, de dados, de telefonia e outros dois de reserva. A implementação do serviço de comunicação será feita por meio de licitação específica.

Dimensões
De acordo com o projeto, os corredores terão pavimento de concreto asfáltico nas vias e de concreto nas paradas – estabelecido após levantamento do tráfego e projeção de uso para 15 anos sem necessidade de manutenções relevantes. Conforme o planejamento da obra, serão construídas paradas a cada 500 m, aproximadamente, para garantir que os usuários não precisarão se deslocar a pé por mais do que 250 m.

As faixas dos corredores de ônibus terão 3,5 m, separados por canteiro de 2 m de largura, com altura em relação à via de 0,15 m. As pistas para carros terão de 2,8 m a 3,2 m, enquanto as calçadas contarão com 2 m. As paradas, em geral, terão 5 m de largura, com altura de 0,28 m em relação à via.

Ampliações de vias
As obras do lote 1 incluem o alargamento da Estrada Samuel Aizemberg, que passará a ter três faixas de rolamento em cada direção, sendo uma para circulação de ônibus e duas para os demais veículos. Atualmente, a via conta com apenas uma faixa de rolamento de cada lado. A ampliação seguirá até a Av. José Odorizzi, pois esse trecho já conta com três faixas de rolamento até a região do viaduto da Av. Robert Kennedy.

Já na porção do lote 2, o trecho da Av. Newton Monteiro de Andrade concentrou muitas desapropriações de imóveis residenciais e comerciais para permitir a duplicação da via e a construção de uma nova pista que fará a ligação direta com a Av. Francisco Prestes Maia, passando pelo meio de alguns quarteirões. O trecho é um dos mais importantes para o plano de transporte público municipal, uma vez que incluirá uma parada na Av. Faria Lima, onde está prevista a construção futuramente da estação da Linha 18 do Metrô, com ligação direta para São Paulo.

Orçado em R$ 419 milhões, Corredor Leste-Oeste estará em operação plena até o fim de 2017

Nesse mesmo lote, a Av. Francisco Prestes Maia já foi duplicada e, agora, estão em andamento apenas as instalações das paradas de ônibus e a adequação do canteiro central, que, diferentemente de outros trechos, terá 4 m de largura.

Viadutos
O projeto inclui a construção de três viadutos, sendo um sobre a Av. Robert Kennedy (entrega prevista para julho de 2016), o segundo sobre a Av. Humberto de Alencar Castelo Branco (setembro), e o terceiro na Praça dos Bombeiros (outubro). Todas essas obras foram projetadas com estrutura metálica. Há também um quarto viaduto em obra para duplicação. É o Viaduto Teresa Delta, sobre a Rodovia Anchieta (entrega em abril de 2017). Nesse caso, o projeto recorreu à técnica do balanço sucessivo para vencer o vão de 200 m sobre a rodovia.

Entre todas as operações, o Viaduto da Av. Castelo Branco é o que tem exigido o trabalho mais minucioso de engenharia. Além das fundações e dos pilares, a área também precisa acomodar a canalização do Ribeirão dos Couros. A canalização será constituída nesse trecho por uma galeria de 5 m de base e altura de 2,7 m, com extensão de 390 m ao longo do terreno onde fica a Estrada Samuel Aizemberg.

Outra dificuldade nessa região é o desnível entre os trechos a serem unidos pelo viaduto (ele liga a Estrada Samuel Aizemberg com a Rua dos Flamingos). “A área do Parque dos Pássaros é mais alta do que a pista do outro lado. Assim, tivemos que projetar, além do viaduto, um encontro estruturado. Não podíamos fazer aterro por ser região de várzea, então planejamos a obra de arte especial na sequência”, detalha Paulo Pellegrini, projetista do corredor.

A fundação do viaduto sobre a Av. Castelo Branco foi feita em estacões, com diâmetro de 1 m. No encontro estruturado leve há algumas estacas-raiz, de diâmetro de 41 cm. A estaca-raiz foi usada em praticamente todos os viadutos do Corredor Leste-Oeste para superar as interferências características de obras em áreas urbanas altamente adensadas. O método exige diâmetro menor e é mais simples no quesito transporte de equipamentos.

“A escolha preferencial, do ponto de vista de execução, é pelo estacão devido à execução rápida. Uma estaca-raiz de 20 m a 23 m de profundidade leva cerca de dois dias para ser feita, enquanto é possível fazer duas fundações do tipo estacão em um dia. Mas em alguns locais precisamos usar a estaca-raiz por causa das interferências”, explica Pellegrini.

O viaduto sobre a Av. Castelo Branco tem fundações e pilares em concreto armado, sendo as vigas metálicas feitas de aço cortén, que dispensa cuidados especiais de pintura contra oxidação. “A viga metálica é boa para trechos curvos, como este da Castelo Branco. Além disso, é muito rápida a instalação após a fabricação”, aponta Pellegrini.

Outros viadutos
O viaduto sobre a Av. Robert Kennedy exigiu fundações exclusivamente em estacas-raiz, devido à enorme quantidade de redes de escoamento de água pluvial presentes no subsolo. Este viaduto também tem infraestrutura e mesoestrutura em concreto, com vigamento metálico – aço cortén – e lajes de concreto.

O desafio para implantar o viaduto da Praça dos Bombeiros também foi grande. No local há um reservatório de retenção de água pluvial do Departamento de Águas e Esgoto (DAE), que gerou a necessidade de se superar um vão de 90 m. Para isso, está sendo feita uma estrutura de cálice, que diminui o tamanho do vão a ser superado, combinado com uma estrutura metálica.

A fundação foi projetada em estaca-raiz por conta das muitas interferências. Este é o local com mais interferências do projeto, contando com adutoras da Sabesp (em um dos apoios há três adutoras), envelope da rede telefônica, galerias de esgoto, galeria de águas pluviais e a rede da Comgas.

Perspectiva da Estação de Conexão de Ônibus (ECO), que ligará diferentes corredores

“Ali realmente é um local problemático”, resume Paulo Rato, engenheiro coordenador de projeto do consórcio Sondotécnica-Diagonal. “Tivemos que obter os cadastros de cada uma das concessionárias. Mas a tubulação não está exatamente no local desenhado, e aí é preciso retrabalho do projetista.” O engenheiro acrescenta que, como o cadastro é apenas indicativo e não topográfico, foi preciso usar equipamento capaz de detectar a presença de metal no subsolo para saber exatamente onde estavam as adutoras.

Sobre a rodovia
Já o Viaduto Teresa Delta está passando por uma duplicação. Para transpor o vão de quase 200 m da Rodovia Anchieta, a opção do projetista foi utilizar o método construtivo de balanços sucessivos, assegurando o gabarito rodoviário de 5,5 m.

Uma das dificuldades do projeto nesse trecho foi obter todas as autorizações necessárias para a obra, que atravessa a rodovia estadual e também interfere em um terreno ocupado por elementos de infraestrutura enterrados no solo. Dessa maneira, foi preciso obter autorizações da Ecovias, concessionária responsável pela Anchieta, e da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte (Artesp). Ainda foi necessário realinhar o traçado do corredor para não entrar em choque com o projeto da Ecovias de construção da pista norte da Av. Marginal da Anchieta. “Também precisamos de autorização da Transpetro para a construção das alças novas, que passam por cima de seus dutos em quatro pontos”, detalha o engenheiro do consórcio.

O projeto do corredor exclusivo de ônibus Leste-Oeste ainda prevê duas Estações de Conexão de Ônibus (ECO) suspensas: uma no viaduto sobre a Av. Humberto Castelo Branco e a segunda no viaduto sobre a Av. Robert Kennedy. Nestes pontos, haverá cruzamento entre os corredores, e os usuários poderão fazer baldeação.

Por Marina Pita