Técnica de recuperação de pavimentos executa uma camada de concreto sobre pavimento flexível deteriorado

Whitetopping é o recapeamento de pavimentos asfálticos com concreto. O termo se refere à cor cinza-claro do concreto, a cobertura branca (whitetopping em inglês), que reveste um pavimento de asfalto deteriorado. Um dos atrativos dessa técnica de recuperação, além de aproveitar a estrutura do pavimento já existente, é a durabilidade do pavimento restaurado. A vida útil de um pavimento restaurado com concreto em suas camadas superiores é idêntica a de um pavimento de concreto integralmente novo: 30 anos. Com o emprego do concreto como revestimento e base, as camadas inferiores ficam sujeitas a esforços reduzidos em comparação a um pavimento asfáltico, o que garante sua preservação por mais anos.

A peculiaridade do whitetopping está em ser colocado diretamente sobre a superfície do antigo pavimento, requerendo somente preparo prévio quando houver um estágio avançado de deterioração funcional ou estrutural – em muitos casos, basta a fresagem do pavimento flexível.

O concreto empregado no whitetopping é o mesmo usado tradicionalmente em pavimentos rígidos, com resistência característica à tração na flexão (fctM,k) da ordem de 4,5 MPa (medida aos 28 dias). Veja as principais etapas da execução de um whitetopping com barras de transferência e algumas soluções manuais.

1 Serviços preliminares 
O desvio do tráfego A pode ser feito para a pista adjacente. Uma vez realizado, é feita a fresagem do asfalto B , o preparo prévio mais comum quando há “marcas de roda” no pavimento desgastado. Uma fresagem típica remove entre 2 cm e 7 cm da camada do pavimento existente, que passará a atuar como subleito. Por fim, é feita a instalação do sistema de referência C , que orienta a leitura dos sensores de alinhamento e nivelamento da pavimentação. Ele consiste em dois cabos de aço nas laterais da pista a ser restaurada, instalados paralelamente ao sentido de trabalho da pavimentadora e colocados topograficamente.

2 Lançamento do concreto 
O lançamento do concreto, dosado e pré-misturado em usina, pode ser feito por meio de caminhões basculantes. Dependendo da largura da pista pode ser usada uma escavadeira hidráulica para reduzir a perda do concreto por espalhamento para fora da largura da pista.

3 Instalação das barras de transferência
Compostas por barras e treliças, as barras de transferência são um sistema modular instalado à frente da pavimentadora. As barras são alinhadas e niveladas de acordo com o projeto, e fixadas na pista com o auxílio de chapas e pinos metálicos cravados com pistola finca-pinos.

4 Espalhamento do concreto
O espalhamento e a vibração do concreto podem ser feitos com equipamentos de pequeno, médio ou grande porte. A solução de menor porte implica no uso de réguas e treliças vibratórias, com produção média estimada de 100 m por dia. A solução intermediária emprega pavimentadoras de rolo vibratório com produção média estimada de 150 m por dia. E a solução mais produtiva utiliza formas deslizantes (slipform) com produção média de 500 m a 700 m por dia.

5 Acabamento
As barras de ligação D são colocadas no concreto no estado fresco com a ajuda de um insersor mecânico acoplado à máquina pavimentadora. O espaçamento é controlado mecanicamente. O desempeno pode ser feito manualmente E ou com equipamento mecânico.

6 Texturização e cura
A texturização manual F é feita com o uso de vassouras de piaçava. Também podem ser usados equipamentos mecânicos para essa função. A aplicação da cura química pode ser feita manualmente G com bomba costal. Também há equipamentos que fazem a aplicação do produto para cura mecanicamente.

7 Preparação das juntas
A serragem das juntas transversais H é feita tão logo houver suporte suficiente para a colocação da máquina de corte e movimentação dos operadores, o que ocorre normalmente entre seis horas a 12 horas após a concretagem. As juntas longitudinais são feitas normalmente de 48 horas a 72 horas após a execução da faixa adjacente, considerando a umidade do ar, temperatura e velocidade do vento. O valor de referência de espessuras para as juntas transversais e longitudinais está entre 3 mm e 8 cm de profundidade.

A selagem das juntas I, tanto transversais quanto longitudinais, recebem tratamento cerca de 60 dias após a concretagem. O procedimento de tratamento consiste na colocação do corpo de apoio de poliuretano e preenchimento das juntas com um selante autonivelante e monocomponente à base de poliuretano modificado com asfalto.

8 Juntas de construção
As juntas de construção costumam ser executadas nos finais das jornadas diárias de trabalho ou no caso de situações imprevistas. Consistem na colocação de fôrmas metálicas na largura da faixa em execução, além de um segmento nas duas faces longitudinais para preenchimento da seção com o mesmo concreto utilizado pela máquina. Sua execução é manual.

9 Execução do acostamento e faixa de segurança
A execução do acostamento e da faixa de segurança pode ser feita em pavimento flexível, com brita graduada simples (BGS) como camada de sub-base e base.

Fonte e colaboração: Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e Engenheiro Marcos Dutra de Carvalho (ABCP)

Por Rodnei Corsini