Operação da Polícia Federal investiga superfaturamento de R$ 77 milhões na Arena das Dunas | Infraestrutura Urbana

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Operação da Polícia Federal investiga superfaturamento de R$ 77 milhões na Arena das Dunas

Uma das prisões preventivas feitas pela Operação Manus foi do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves

Gabrielle Vaz, do Portal PINIweb
7/Junho/2017

Foi deflagrada na última terça-feira (6) a Operação Manus da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal para colher dados sobre a suposta corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro durante a obra da Arena das Dunas, em Natal, no Rio Grande do Norte. O superfaturamento é avaliado em R$ 77 milhões.

Divulgação: Portal da Copa

A operação que tem o nome baseado no provérbio latino Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat, que significa "uma mão esfrega a outra; uma mão lava a outra". Cerca de 80 policiais federais cumpriram 33 mandados judiciais nos estados do Rio Grande do Norte e no Paraná, sendo cinco mandados de prisão preventiva, seis mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão.

A investigação foi aberta após análise das provas coletadas pela a Operação Lava Jato, que indicaram solicitação e efetivo recebimento de vantagens indevidas de dois ex-parlamentares com envolvimento com duas construtoras que realizavam as obras da Arena.

De acordo com a nota da PF, "a partir das delações premiadas em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, e por meio de afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, foram identificados diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre os anos de 2012 e 2014, que, na verdade, consistiram em pagamento de propina. Identificou-se também que os valores supostamente doados para a campanha eleitoral em 2014 de um dos investigados foram desviados em benefício pessoal ".

Entre os mandados de prisão está a prisão do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro, além de participar de desvios nas obras do estádio. Alves foi o terceiro ministro em menos de um mês do governo Michel Temer a renunciar por envolvimento à Lava Jato.

"No caso de Henrique Eduardo Alves, por exemplo, há relatos da existência de movimentação financeira externa entre os anos de 2011 e 2015, período em que teriam ocorrido os desvios de recursos do FI-FGTS por parte da organização criminosa", diz nota divulgada pela Procuradoria da República do Distrito Federal.

A construtora OAS é uma das empresas envolvidas, já que foi a responsável pela construção da Arena das Dunas para a Copa do Mundo de 2014.

As investigações seguem em parceria também com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

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