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31ª fase da Operação Lava Jato investiga cartel na licitação do Cenpes e de mais duas obras da Petrobras

Consórcio Novo Cenpes, formado pela OAS, Carioca Engenharia, Schahin Engenharia, Construbase e Construcap, teria pagado R$ 39 milhões em propina para conseguir contrato

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
4/Julho/2016

Novas obras da Petrobras são investigadas por cartel, corrupção a lavagem de dinheiro na 31ª fase da Operação Lava Jato, intitulada “Abismo”. Nesta segunda-feira (4) foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e sete de condução coercitiva.

Divulgação: Governo do Rio de Janeiro

As investigações na Operação Lava Jato e o acordo de leniência e de colaboração formados com a Carioca Engenharia indicaram um grande cartel formado por grandes empreiteiras nas licitações de três obras da Petrobras. São elas: a sua Sede Administrativa em Vitória (ES), o Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro (RJ), e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), também no Rio de Janeiro (RJ)

Nos processos de licitação, as principais empresas participantes fixavam preços e preferências. O Consórcio Novo Cenpes, formado pela Construtora OAS, Carioca Engenharia, Schahin Engenharia, Construbase Engenharia e Construcap CCPS Engenharia ficaram com a obra do Cenpes.

No caso, foi apurado que a WTorre Engenharia e Construção S/A apresentou uma proposta de preço inferior. O Consórcio Novo Cenpes, então, ofereceu R$ 18 milhões para que a empresa saísse do certame. Após o acordo, o contrato foi firmado entre a Petrobras e o grupo em R$ 849,9 milhões para a construção do centro de pesquisa – número esse que ultrapassou R$ 1 bilhão até o fim da obra.

Além disso, houve pagamento de propina a funcionários da Petrobras da Diretoria de Serviços. Entre 2007 e 2012, foram identificados pagamentos ilícitos de R$ 16 milhões para Adir Assad (preso na última quinta, 30, na Operação Saqueador); de R$ 3 milhões para Roberto Trombeta e Rodrigo Morales; de US$ 711 mil para Mario Goes; e de R$ 1 milhão para Alexandre Romano.

Dirigentes da Carioca Engenharia reconheceram a fraude à licitação do Consórcio Novo Cenpes e os pagamentos de propinas. Pedro José Barusco, ex-gerente de engenharia da Petrobras, afirmou que a obra rendeu propinas de 2% do valor do contrato, valor também destinado ao ex-Diretor da Petrobras, Renato de Souza Duque e a agentes do Partido dos Trabalhadores (PT).

Outro a confirmar os crimes foi Mario Frederico de Mendonça Goes, também colaborador. Ele indicou a intermediação de propinas e a realização de pagamentos em espécie e depósitos em contas do exterior.

O coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ressaltou a interconexão com as investigações deflagradas na última semana. “Três operações da última semana, Saqueador, Custo Brasil e a de hoje, são ramos de uma mesma árvore. Juntas formam um ícone da recente articulação da Justiça que começa a cercar em diversas frentes de investigação megaesquemas criminosos de desvio de dinheiro público que se interconectam. É expressão disso o fato de que há alvos em comum entre Lava Jato e as demais, como Adir Assad, no caso da Saqueador, e Paulo Ferreira, na Custo Brasil. É preciso uma atuação interinstitucional firme contra a corrupção se desejamos que os demais ramos dessa mesma árvore possam produzir frutos como a Lava Jato”.

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