CPFL Energia testa nova tecnologia de poste autoaterrado para proteger o sistema elétrico de raios | Infraestrutura Urbana

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CPFL Energia testa nova tecnologia de poste autoaterrado para proteger o sistema elétrico de raios

Resultados já apontam que o produto reduziu a resistência de aterramento das instalações em torno de 81,88%

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
16/Fevereiro/2017

A CPFL Energia está testando o uso de postes autoaterrados, uma nova tecnologia contra a incidência de raios que pode trazer maior proteção ao sistema elétrico. O produto utiliza uma série de compostos químicos que transformam o concreto na região da sua base, conduzindo a descarga elétrica em direção ao solo. Dessa forma, ela se dissipa sem oferecer qualquer risco à população.

A nova tecnologia também implica em um processo de aterramento mais simples. Enquanto nos postes tradicionais ele é feito com o uso de hastes de cobre e hastes cantoneira em aço zincado a fogo, cabos e canaletas e conexões, o novo modelo é simplificado, o que também evita os riscos de corrosão e vandalismo.

"Com o passar do tempo, os sistemas de aterramento convencionais perdem sua eficácia, ou até mesmo a sua completa funcionalidade, devido aos efeitos da corrosão de cabos e conexões. O poste autoaterrado, por dispensar estes elementos, aumenta a confiabilidade dos sistemas de proteção, trazendo mais segurança à rede e aos consumidores", explica o diretor de Estratégia e Inovação da CPFL Energia, Rafael Lazzaretti.

Os primeiros testes estão sendo feitos em um lote de 600 postes, no interior e no litoral de São Paulo. Até o fim do ano, serão 540 unidades testadas em Ibiúna e 60 em Santos. Os resultados já apontam que o novo poste reduziu a resistência de aterramento das instalações em torno de 81,88%, o que traz mais proteção à rede.

Com o poste autoaterrado, a CPFL Energia também espera proteger os transformadores; religadores; reguladores de tensão; bancos capacitores; seccionalizadores; jogos de chaves e para raios. Além disso, a ideia é trazer mais segurança às instalações residenciais, o que contribui para a queima de eletrodomésticos. "Isso se traduz em um serviço de melhor qualidade para os nossos consumidores, o que irá se refletir nos indicadores de continuidade do fornecimento", diz o diretor de Engenharia da CPFL Energia, Caius Vinicius Sampaio Malagoli.

A redução nos custos da distribuidora é estimada em uma média de 28% a 48%, dependendo do tipo de poste e do solo. Também são diminuídas as despesas quanto à reforma dos equipamentos, que, hoje, são em torno de R$ 2 mil por unidade danificada.

A CPFL Energia já planeja a transferência da nova tecnologia, com negociações nos estados de São Paulo, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. "O P&D do poste autoaterrado foi apresentado no Seminário de Distribuição Nacional de Energia Elétrica (Sendi), realizado em novembro de 2016, sendo eleito um dos três melhores projetos do evento e despertando grande interesse de outras distribuidoras", conta Lazzaretti.

O projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do poste autoaterrado teve início em dezembro de 2012, dividido em duas fases. A primeira, de teste piloto, foi concluída em 2014; e a segunda, iniciada em 2015, estende-se até 2017, em que o objetivo é a inserção do produto no mercado.

O investimento total é de R$ 4,4 milhões, com financiamento do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).