Projeto do Trecho Norte do Rodoanel de São Paulo está exigindo o emprego de tecnologias radicalmente não invasivas ao meio ambiente e aos bairros vizinhos | Infraestrutura Urbana

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Projeto do Trecho Norte do Rodoanel de São Paulo está exigindo o emprego de tecnologias radicalmente não invasivas ao meio ambiente e aos bairros vizinhos

Por Alberto Mawakdiye
Edição 66 - Janeiro/2017
 

FICHA TÉCNICA
Obra:
Rodoanel - Trecho Norte
Características: última fase de implementação do rodoanel, que completa o percurso em torno do centro da capital paulista, interligando os acessos às principais rodovias.
Localização: municípios de São Paulo, Guarulhos e Arujá
Coordenação: Dersa - Desenvolvimento Rodoviário S/A
Construção: Construcap
Fornecimento de pré-lajes para tabuleiros: M3SP Engenharia
Início: 2013
Conclusão prevista: 2018

Última etapa do projeto do Rodoanel Mário Covas - a via de contorno de 177 quilômetros que interligará dez rodovias estaduais e federais que chegam à região metropolitana de São Paulo -, o Trecho Norte, que deve ser entregue ao tráfego em março de 2018, após cinco anos de obras, é o que mais tem exigido o uso de tecnologias não invasivas, tanto no aspecto ambiental como no construtivo propriamente dito.

O trecho, de 44 quilômetros de extensão, passa pelas cidades de São Paulo, Guarulhos e Arujá e está encravado nos interstícios entre a área urbana e os remanescentes florestais da Serra da Cantareira - região repleta de rios e represas. Foi preciso desenvolver o projeto de modo que ele afetasse o menos possível a população das vizinhanças e, ao mesmo tempo, atendesse os requisitos da legislação ambiental.

A saída encontrada pela Dersa, a companhia de economia mista encarregada pelo governo estadual de coordenar as obras, e pelas empresas contratadas foi "isolar" construtivamente as áreas mais sensíveis do trajeto. Estão sendo implantadas nada menos do que 107 grandes estruturas - 44 pontes e 63 viadutos, perfazendo 12,6 quilômetros - e sete túneis duplos, que somarão 6,1 quilômetros em cada sentido.

A própria concepção do trecho é ambientalmente correta. O Rodoanel será uma rodovia Classe 0 - ou seja, com controle total dos acessos, rampas suaves, curvas de grande raio e outras características que possibilitarão a adoção de uma velocidade média de 100 km/h, aumentando a capacidade de fluxo e a segurança dos motoristas.

Estão sendo implantadas 107 grandes estruturas ao longo dos 44 km do Trecho Norte: 44 pontes e 63 viadutos, perfazendo 12,6 km - e sete túneis duplos, que somarão 6,1 km em cada sentido

REPRODUÇÃO SITE GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Traçado do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. A obra cruza os municípios de São Paulo, Guarulhos e Arujá e tem extensão de 44 km

Para reduzir ao mínimo as interferências na vida dos bairros do entorno, o trecho também contará com equipamentos de contenção contra derramamento de cargas tóxicas e barreiras acústicas. O pavimento de concreto no interior dos túneis conterá um material não inflamável, que não potencializa a combustão ou a geração de fumaça e gases. Serão replantadas quase 100 mil plantas e mudas de árvores. Com pistas separadas por canteiro central e três a quatro faixas de rolamento por sentido, o Trecho Norte do Rodoanel, que está com cerca de metade das obras concluídas - houve vários atrasos devido a entraves nos processos de desapropriação -, será diretamente ligado aos trechos Oeste e Leste da rodovia e também ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, para o qual terá um acesso exclusivo de 3,6 quilômetros. Atenderá especialmente aos motoristas que hoje precisam atravessar as regiões centrais de São Paulo para chegar às rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, que ligam São Paulo aos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, respectivamente, a partir do leste e do norte da região metropolitana, e aqueles que fazem o percurso inverso, em direção às rodovias que passam a oeste, rumo ao interior do estado e ao sul do país.

A Dersa estima que haverá uma queda de 6% a 8% na emissão de poluentes em São Paulo só com a atração dos mais de 18 mil caminhoneiros que cumprem esses percursos diariamente pelas marginais dos rios Tietê e Pinheiros.