Gerenciadora desenvolve nova ferramenta para prevenção e correção de atrasos | Infraestrutura Urbana

Transporte

Como fiscalizar

Gerenciadora desenvolve nova ferramenta para prevenção e correção de atrasos

Roberto Pereira e Guilherme Fontenele
Edição 49 - Julho/2015
 

[O Diagrama de Cumprimento de Cronograma tem sido utilizado pelos autores desde 2013, com sucesso, em três contratos de gerenciamento de programas]

Um dos temas que mais ocupa as mentes dos gestores de projetos, de maneira geral, é o cumprimento de cronogramas. Neste sentido, o que aqueles profissionais querem saber é se os serviços ou produtos realizados até uma certa data correspondem ao que havia sido programado no cronograma em vigência.

Provavelmente, a comparação mais adequada entre o que foi realizado e o que foi programado, para um mesmo período, se faça com o uso dos valores monetários dos serviços ou produtos monitorados. A conversão de quantidades produzidas em valores monetários é geralmente muito apropriada, pois assim se terá os seus pesos no empreendimento como um todo. Os valores efetivamente produzidos ou entregues são normalmente chamados, na área gerencial, de valores agregados.

Dentro dessa linha de pensamento, o indicador de cumprimento de cronograma mais natural é aquele obtido pela relação entre o valor agregado e o correspondente valor orçado, até um determinado momento, expresso em porcentual um do outro.

Na linguagem já praticada na metodologia internacional conhecida como Gerenciamento de Valor Agregado, este indicador é chamado de 'Índice de Desempenho de Prazo - IDP' (ou 'Schedule Performance Index - SPI', em inglês). Este indicador nada mais é que a relação entre o que foi feito e o que deveria ter sido feito até um determinado momento selecionado. Observa-se, no entanto, que nas práticas atuais muitos gestores costumam usar apenas o diagrama de Gantt ou as chamadas 'curvas de gerenciamento de valor agregado', como ferramentas gráficas de controle de prazos. Todavia, nenhuma delas apresenta o IDP diretamente.

GANTT
Uma das grandes vantagens de um gráfico de Gantt tradicional é a possibilidade do acompanhamento visual de várias atividades, simultaneamente. Assim, em apenas um diagrama, além de se ter uma visão do desempenho relativo das diversas partes do conjunto, pode-se ter também uma lista abrangente do escopo a ser acompanhado. No diagrama de Gantt, costuma-se apresentar duas barras para cada atividade monitorada, que se desenvolvem ao longo de uma escala de tempo:

A primeira barra normalmente representa o prazo previsto para execução da atividade, definida pelo seu início e seu fim, ao longo do tempo;

A segunda barra costuma representar o período real dos trabalhos, também ao longo do tempo, até uma certa data escolhida.

A comparação visual entre essas duas barras permite entender como a realidade está se comportando em relação à previsão, em termos de avanço físico no tempo. Isso possibilita uma visualização bastante conveniente da evolução dos cumprimentos de prazo nas atividades programadas para um empreendimento. Entretanto, o diagrama de Gantt convencional apresenta uma limitação extremamente significativa. Em poucas palavras, nesse tipo de gráfico pode-se visualizar se uma atividade está ou não sendo executada dentro do prazo previsto.

Entretanto, não são apresentados indícios de que a velocidade dessa execução levará ao cumprimento do prazo programado, impedindo ações gerenciais para prevenção de atrasos. Isso porque o diagrama de Gantt tradicional não mostra o quanto foi feito em relação ao quanto estava programado, para um dado momento.

Gerenciamento de valor agregado
O problema apontado acima poderia ser resolvido pelos extraordinários gráficos de gerenciamento de valor agregado, ou gráficos das 'curvas S' (também conhecidas no idioma inglês como 'Earned Value Management Line Charts'). As qualidades dessa ferramenta são reconhecidas mundialmente. Tanto que seu uso é padronizado por normas como a norte-americana ANSI/EIA-748 e ainda se constituem em um dos principais instrumentos no famoso manual de gerenciamento de projetos PMBOK, emitido pelo Project Management Institute (PMI).

Os gráficos de valor agregado têm a qualidade de permitir que o desempenho de uma atividade ou até de um empreendimento seja monitorado simultaneamente tanto nos aspectos de valores, como nos de tempo, por um único diagrama. Isso faz muito sentido, pois valor e prazo são, normalmente, intimamente ligados entre si.

Entretanto, ao contrário dos diagramas de Gantt, os gráficos de valor agregado não são convenientes para representação de várias atividades ao mesmo tempo. Tal diagrama ficaria muito congestionado, eliminando a vantagem da comunicação visual, que a princípio deve ser clara e imediata. Isso pode ser visto no exemplo do gráfico em obra fictícia de recuperação rodoviária.

Por outro lado, a não representação das várias atividades do empreendimento em um mesmo gráfico tira a visão do conjunto, o que é uma desvantagem para o gerente de projetos. Nessa mesma linha, a visão abrangente do escopo, que se pode ter no diagrama de Gantt, ficaria prejudicada nos gráficos de valor agregado.

Com isso, e considerando que a maior parte dos gerentes de projetos não tem tempo e, muitas vezes, não tem paciência para entender gráficos congestionados, fica clara a necessidade de alguma ferramenta que reúna as qualidades do diagrama de Gantt e dos gráficos de valor agregado e que, ainda, resolva as limitações apontadas nos mesmos. Adicionalmente, como mencionado, nem o diagrama de Gantt, nem os gráficos de valor agregado apresentam de forma explícita o fundamental indicador mencionado no início do texto, ou seja, o Índice de Desempenho de Prazo (IDP).

Conteúdo exclusivo para leitores
cadastrados ou assinantes da revista Infraestrutura Urbana

Ainda não é um assinante PINI?
Escolha uma das opções abaixo e faça já sua assinatura.