De cassino a museu: restauro de edificação histórica de Minas Gerais cria oportunidade para instalação de novo equipamento | Infraestrutura Urbana

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Modelo de projeto

De cassino a museu: restauro de edificação histórica de Minas Gerais cria oportunidade para instalação de novo equipamento

Por Valentina Figuerola
Edição 43 - Setembro/2014
 

Situado no circuito das Águas de Minas Gerais, rodeado de cidades como Cambuquira, São Lourenço, Caxambu e Baependi, o Museu das Águas de Lambari reunirá todo o acervo da região para contar a história das águas minerais

Em 2011, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) contratou o escritório de arquitetura Estilo Nacional para realizar o projeto de restauro do Antigo Cassino, às margens do Lago Guanabara, em Lambari (MG). Tratava-se somente do restauro, e não havia nenhum uso previsto para a imponente construção em estilo eclético, erguida na 1a década do século XX. A ideia de elaboração de um plano museológico, realizado em 2012, partiu dos arquitetos Eduardo Alvim e Marílis Mendes, sócios do Estilo Nacional, que além de definir a área de atuação do equipamento cultural, tinham como desafio lidar com o estado avançado de deterioração do prédio.

"O projeto de restauro, por si só, não resolve o problema de uma edificação histórica que, para ser mantida e conservada, precisa de um uso", explica Alvim. O tema "Museu das Águas" surgiu a partir de um workshop realizado com técnicos da Codemig e do Estilo Nacional, representantes municipais e especialistas convidados como Marília Xavier Cury, professora-doutora da Universidade de São Paulo, atuando no Museu de Arqueologia e Etnologia, e Letícia Julião, professora de Museologia da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG. No evento, foram discutidas questões como a história da edificação (ver boxe "Descaso e Abandono"), que é ligada à estância hidromineral de Lambari, programas das diferentes áreas de funcionamento da instituição e proposta arquitetônica de uso dos espaços.

Marílis Mendes, que atuou como coordenadora do projeto de restauro, fala do desafio de encaixar o programa de necessidades do Museu das Águas de Lambari no antigo edifício que, apesar das dimensões generosas, é caracterizado pela abundância de circulações e de áreas ociosas de difícil aproveitamento. "Por questões políticas, tivemos de suprimir itens do programa do museu para encaixar uma pequena biblioteca, sala multiuso para música e dança, além da Secretaria de Turismo Municipal", acrescenta a arquiteta.

Uma das principais patologias do edifício era a infiltração de águas pluviais na cobertura dos torreões. A redução da inclinação dos telhados para 40% e o redimensionamento das calhas levou à diminuição da velocidade de escoamento das águas, e deixou a feição das coberturas mais parecida com a do projeto original no que se refere à forma. "Suavizamos as inclinações e mantivemos as telhas francesas existentes, introduzidas em uma das reformas sofridas pelo prédio na década de 1920.

Não possuíamos registros suficientes para recompor as mansardas com telhas de cobertura em pedra - provavelmente ardósia -, das torres", explica Alvim.

 

 

Outro desafio que ainda está sendo resolvido pelos autores do projeto durante a obra é o percurso das instalações prediais na construção. A princípio, os arquitetos pensaram em encaminhar as tubulações pelo entreforro de gesso das circulações, mas a ideia foi descartada em função da descoberta de forro de estuque original, acima dos forros de gesso, em extensão muito maior do que a dupla imaginava. "O IEPHA-MG [Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais] solicitou a manutenção da altimetria do estuque original, o que fez com que perdêssemos o espaço do entreforro", diz o arquiteto.

 

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