Hospital em Porto Alegre integra unidade de atendimento ao SUS a centros de especialidades, de diagnóstico e escola de gestão | Infraestrutura Urbana

Equipamentos Públicos

Hospital em Porto Alegre integra unidade de atendimento ao SUS a centros de especialidades, de diagnóstico e escola de gestão

Por Mariana Siqueira
Edição 42 - Setembro/2014
 

Fotos: Nabor Goulart

O recém-inaugurado Hospital Restinga e Extremo Sul, em Porto Alegre, é resultado de uma parceria firmada entre o poder público (em níveis federal, estadual e municipal) e uma instituição hospitalar privada, o Hospital Moinhos de Vento. A iniciativa foi viabilizada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), lançado pelo Governo Federal em 2009, que prevê a liberação de recursos advindos de isenções fiscais junto a entidades de saúde de reconhecida excelência para o desenvolvimento do SUS.

O hospital é uma peça fundamental na composição de um Sistema Regional de Saúde na região da Restinga e Extremo Sul, onde se encontram bairros historicamente marcados pela exclusão social, com consideráveis índices de violência, gravidez na adolescência, dependência química e alcoolismo. Estima-se que a população beneficiada pelo novo hospital chegue a nada menos que 110 mil pessoas. Além do novo complexo hospitalar, esses bairros já podem contar com três Unidades Básicas de Saúde e 18 equipes de Estratégia Saúde da Família.

Uma vez finalizada a obra - ainda faltam alguns detalhes para completar a empreitada -, os recursos liberados para o Hospital Moinhos de Vento pelo Proadi-SUS deverão ser utilizados para novos projetos na própria região e em outras frentes determinadas pelo Ministério da Saúde. A ideia é que as atividades realizadas dentro desse Sistema possam servir de modelo para outras regiões do País.

A parte civil do novo Hospital Restinga e Extremo Sul está completa. O hospital está em funcionamento desde julho de 2014 e ainda deve receber obras referentes ao paisagismo

O Complexo Hospitalar Restinga e Extremo Sul engloba cinco grandes unidades: emergência, consultórios, hospital, exames e escola de gestão em saúde. A emergência recebe crianças e adultos 24 horas por dia e tem capacidade para 13 mil atendimentos por mês. O hospital é composto por bloco cirúrgico, maternidade, serviço de fisioterapia e internação adulta e pediátrica. Uma unidade de terapia intensiva ainda deverá ser incorporada ao complexo. Inicialmente, foram abertos 25 leitos na emergência e 62 na internação, mas a ideia é que a somatória desses números chegue a 170 quando a instituição puder operar a 100% de sua capacidade.

Entre os exames de diagnóstico, serão disponibilizados exames laboratoriais, ecografia, eletrocardiograma, holter, mapa, ecocardiograma, endoscopia digestiva alta e baixa, além de raios X e tomografias digitais.

A escola de gestão em saúde foi criada logo no começo do programa, tendo se instalado no próprio hospital Moinhos de Vento até a execução no novo hospital, que agora conta com adequada infraestrutura para essa finalidade. Com cursos profissionalizantes, cursos técnicos em enfermagem e em odontologia, capacitações, pesquisas de interesse público e elaboração de protocolos e indicadores, a escola já capacitou 619 moradores da região.

O partido arquitetônico adotado indica grande horizontalidade na implantação, que acompanha o desnível de 10 m que caracteriza o lote na forma de uma construção escalonada. A planta do complexo foi organizada em três blocos: principal, internações e utilidades. O bloco principal tem acesso direto a cada um de seus andares

Arquitetura
O novo complexo hospitalar foi construído no bairro da Restinga, em um terreno situado entre duas áreas de preservação ambiental. Mais de um quinto dos 41.670 m2 de lote foi ocupado por edificações. O partido arquitetônico adotado aposta em um forte sentido de horizontalidade para, segundo o arquiteto Paulo Cassiano, diminuir o gasto de energia em deslocamentos verticais.

Assim, os projetistas optaram por aproveitar o desnível de 10 m existente no terreno na forma de uma construção escalonada, desenhada de maneira a minimizar radicalmente os trabalhos de corte e aterro. O resultado é uma edificação de, no máximo, três pavimentos, com quase 20.000 m² de área construída, setorizada em três blocos: principal, de internações e de utilidades. Com o objetivo de proteger e demarcar a importância de certas áreas foram executadas cinco coberturas espaciais metálicas.

O bloco principal é o que mais dialoga com a topografia, apresentando grande variação de área em cada um de seus três pavimentos. O andar superior é o mais amplo, podendo ser acessado diretamente da rua na cota 38,75 m, e é onde foram instaladas as áreas de tratamento: pronto atendimento, centro obstétrico, centro de terceira idade, central de diagnósticos por imagens, entre outros.

No andar intermediário, também com acesso junto à rua na cota 34,55 m, foram dispostas as áreas administrativas e a escola de gestão em saúde. O andar inferior, locado no platô a 30,35 m, recebeu os ambientes de apoio e serviços, como vestiários, almoxarifado, farmácia e afins. O bloco de internação conta com três pavimentos com áreas idênticas - cerca de 1.000 m² -, organizados na forma de quartos de cerca de 20 m² e de enfermarias de quase 50 m².

O bloco de utilidades fica separado do hospital, abrigando dispositivos como gerador, transformadores, aquecedores de água, central de gases e outros. Para levar todas as tubulações até o hospital, foi construída uma galeria técnica subterrânea, em peças pré-moldadas de concreto, espaçosa o suficiente para acomodar, não apenas os tubos e dutos, mas os profissionais designados para serviços de manutenção e revisão das redes.

É no piso superior que o bloco principal ocupa maior área: mais de 6.000 m2. Aqui estão as áreas de tratamento, como emergência, centro obstétrico, central de diagnósticos por imagens, entre outros

 

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