Concluído em 20 meses, terminal do Aeroporto de Natal combina vidro e cobertura metálica, na forma de asa de avião | Infraestrutura Urbana

Equipamentos Públicos

Concluído em 20 meses, terminal do Aeroporto de Natal combina vidro e cobertura metálica, na forma de asa de avião

Por Bruno Loturco
Edição 42 - Setembro/2014
 

Fotos: Divulgação ASGA
Consórcio Inframérica desenvolveu as instalações terrestres do aeroporto. Ao longo da concessão, empresa terá de investir R$ 150 milhões e ampliar a capacidade anual para 11 milhões de passageiros

O aeroporto internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na grande Natal, foi inaugurado no último dia 31 de maio. Contou com investimentos da ordem de R$ 500 milhões e previsão de que outros R$ 150 milhões sejam aportados até 2038. Estima-se que, até 2024, 6,2 milhões de passageiros circularão pelo terminal anualmente. Dessa data até o final da concessão, em 2038, o fluxo de pessoas será de 11 milhões ao ano.

Pela primeira vez no Brasil um aeroporto foi totalmente entregue para ser administrado pela iniciativa privada, sem participação da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Ao assumir tal responsabilidade, o Consórcio Inframerica - composto pela Infravix, empresa controlada pelo Grupo Engevix, e pela Corporación América - encampou também o desenvolvimento dos projetos arquitetônico e executivo e a construção das chamadas instalações terrestres, ou seja, terminal de passageiros e de cargas, pontes de embarque, acessos viários, torre de controle, edificação de combate a incêndio, estacionamentos e urbanismo. Isso porque o chamado lado ar - a pista de pousos e decolagens - já estava praticamente concluído.

Fotos: Divulgação ASGA
A combinação entre a casca em telhas metálicas e a pele de vidro do terminal visa a reduzir o consumo de ar-condicionado e proporcionar conforto térmico com máximo aproveitamento da boa insolação da região

" O projeto original era da Infraero que, há cerca de dez anos, construiu a pista e, em determinado momento, decidiu fazer a concessão de toda a parte de terra", explica Antonio Carlos Pimentel, diretor de obras do Consórcio Engeport, responsável pela empreitada. De acordo com ele, a obra não chegou a ficar parada, mas tinha ritmo de execução extremamente lento.

A situação mudou quando, em fins de 2011, o Consórcio Inframérica venceu o leilão. Afinal, apesar de o contrato de concessão assinado junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) prever a conclusão da obra para novembro de 2014, os governos Estadual e Federal tinham interesse de que as instalações estivessem operando antes da Copa do Mundo. O próprio consórcio, por sua vez, via como estratégica a conclusão antecipada não só para dar início ao faturamento o quanto antes, mas para aproveitar o fluxo adicional de passageiros que desembarcariam para o evento.

Estabeleceu-se, então, como meta a entrega da obra em abril de 2014. "Fizemos contas e estudo de cronograma e concluímos que seria possível. Tínhamos 20 meses, mas como era um terreno sem interferência, poderíamos trabalhar 24 horas", lembra Pimentel.

Atendimento aos passageiros
De acordo com o Consórcio Inframerica, "o passageiro que chegar ao novo aeroporto encontrará uma infraestrutura moderna e inteligente, que alia conceitos de conforto, eficiência e praticidade". Os argumentos para tal afirmação são a existência, no piso de embarque do terminal, de 42 balcões de check in compartilhados e seis totens de autoatendimento também operados conjuntamente pelas companhias aéreas.

A finalidade do compartilhamento, afirma a empresa, é redistribuir filas, permitindo que a quantidade de balcões ocupados por determinada companhia seja proporcional à quantidade de voos que estiver operando em dado momento. A informação sobre a companhia que está operando é feita por meio de painéis dinâmicos acima dos balcões.

Para o embarque, os passageiros passam pelo controle de segurança e acessam o free shop para só então dar entrada na sala de embarque. Esta, por sua vez, opera com seis pontes de embarque que têm capacidade de acoplar até oito aeronaves simultaneamente.

No desembarque, o aeroporto São Gonçalo do Amarante conta com seis esteiras para restituição de bagagem. Desde esse ponto até a saída, o passageiro passa pelo chamado Corredor do Turismo, que concentra serviços ao visitante, como traslados, táxis, casa de câmbio etc.

 

O formato da torre de controle remete a uma esfinge. A estrutura tem 38 m de altura, com nove andares internos, interligados por escadas e elevador
 
Terreno livre de interferências e sem edificações próximas permitiu a criação de central de armação no canteiro. Elementos foram utilizados nas fundações em estacas hélice contínua e na estrutura moldada in loco

 

Asa de avião
A partir das diretrizes da Infraero, a Corporación América desenvolveu o projeto básico do terminal e a Engevix, o projeto executivo. Pimentel conta que foi preciso atender a requisitos relacionados à área mínima, existência de terminais separados para voos nacionais e internacionais, volume mínimo de passageiros, dentre outros. "Tudo isso influencia, de uma forma ou de outra, a concepção do projeto", analisa.

Como resultado, a arquitetura do terminal criou uma grande caixa de vidro protegida por uma cobertura metálica em formato de asa de avião. A logística de montagem da estrutura metálica da cobertura previu três etapas de execução para cada um dos arcos - em forma de interrogação - que dão suporte às telhas zipadas do tipo sanduíche.

 

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