Terminal marítimo de passageiros de Fortaleza: Projeto desatualizado e imprevisibilidades climáticas obrigam construtora a mudar técnicas de fundação com obra em andamento | Infraestrutura Urbana

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Terminal marítimo de passageiros de Fortaleza: Projeto desatualizado e imprevisibilidades climáticas obrigam construtora a mudar técnicas de fundação com obra em andamento

Por Marina Pita
Edição 41 - Agosto/2014

Divulgação: Constremac
Área projetada para construção do Terminal Marítimo de Passageiros foi imersa em água, exigindo cravação de estacas tubulares no mar

O Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza consta na lista de empreendimentos de infraestrutura viabilizados por conta dos preparativos para a Copa do Mundo de Futebol. Compreendeu a construção de um novo cais de atracação de navios de múltiplo uso, planejado para receber os maiores transatlânticos do mundo, e também navios de carga (fora da temporada de turismo), além de um terminal de passageiros, uma retroárea para contêineres e um estacionamento.

A empreitada, realizada pelo consórcio formado pela Constremac com a Serveng, mostrou-se mais complexa do que previa o projeto. Planejada inicialmente como uma obra em terra, exigiu dos engenheiros desenvolvimento de soluções para cravação de estacas em mar, executadas, ainda, em situação adversa, uma vez que a temporada de ondas grandes no litoral cearense ocorreu antes do previsto. A isso, acrescenta-se um prazo inflexível - o primeiro jogo da competição em Fortaleza ocorreu em 14 de junho de 2014 - e se tem uma ideia da complexidade na execução do empreendimento.

Divulgação: Constremac
Solução foi aterrar o perímetro para iniciar a fundação do terminal

Os problemas e reviravoltas técnicas da obra datam de sua contratação. A licitação para a construção do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza foi realizada em novembro de 2012 pela Companhia Docas do Ceará. Em fevereiro do ano seguinte, foi anunciada a vitória do Consórcio Mucuripe no processo de concorrência pública. Mas quando de fato as equipes chegaram ao canteiro (a Praia Mansa), em 2013, ficou evidente a diferença do projeto licitado e o possível de ser realizado: praticamente todo o perímetro de construção do terminal e do cais - previsto, em projeto, em área de terra - estava imerso em água.

O motivo? Após uma dragagem para ampliar o calado do porto, iniciada em 2009 e concluída em 2011, a cota da areia no local mudou drasticamente. A ilha é um depósito de areia criado a partir da interferência da construção do primeiro cais no local, e, portanto, muito sujeita a alterações.

Divulgação: Constremac
Concretagem das estacas
Divulgação: Constremac
Contenção com estacas prancha. Para iniciar a fundação do terminal, a terraplenagem do cais teve que avançar até a área da contenção com estacas

De acordo com a Companhia Docas do Ceará, o edital foi elaborado "com os dados reais do terreno (dados topográficos - com levantamento em janeiro de 2011) e mar (dados batimétricos) levantados à época da licitação [2012, portanto], onde a maior parte da obra seria executada por terra". Se o levantamento foi feito depois de concluída a dragagem que motivou a mudança comportamental do terreno, por que, então, não foi constatada a alteração?

Segundo o órgão público, entre a fase de coleta de dados e o lançamento do edital, depois da dragagem na Bacia de Evolução e Canal de Acesso ao Porto, o terreno teria mudado muito e não havia tempo hábil para refazer os estudos. "Caso a CDC optasse por aguardar o terreno voltar a sua condição de estabilidade natural, muito provavelmente o edital ainda não teria sido lançado", afirmou a companhia em nota à Infraestrutura Urbana. Em outras palavras, a obra foi contratada com projeto desatualizado.


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