Como fiscalizar adutoras | Infraestrutura Urbana

Como fiscalizar

Como fiscalizar adutoras

Da aprovação do projeto aos serviços de manutenção periódica, saiba quais os procedimentos técnicos para evitar o rompimento de adutoras

Por Cleide Floresta
Edição 32 - Maio/2013
 

Fotos: divulgação Agencia Brasil

A explosão de uma adutora em Campo Grande, no Rio de Janeiro, em agosto, evidenciou, mais uma vez, os estragos que o rompimento de tubulações com grande vazão e alta pressão podem provocar. O incidente levou uma criança à morte e deixou 17 famílias desabrigadas. Embora o caso tenha sido dramático, não é isolado. Ocorrências similares já aconteceram em outros locais do País e fora dele - o que ratifica a necessidade de uma fiscalização permanente, que começa no projeto, segue durante a obra e passa por vistorias periódicas das estruturas em todo seu ciclo de vida.

Os motivos que levam a avarias em adutoras são diversos e dependem da função operacional de cada estrutura, a que tipo de serviço se destina, qual é seu porte e de que material foi fabricada (veja quais os principais motivos em quadro à parte). "Em geral, rompimentos bruscos de grandes proporções decorrem de ação externa ou por ação de terceiros ou por sobrecarga não prevista em sua concepção original", comenta o gerente do departamento de manutenção da adução metropolitana da Sabesp, Hilário Hideo Kawaguti.

Embora todo grande vazamento seja precedido de um aviso, a percepção desse sinal nem sempre é fácil. "Diferentemente de uma rede, em que um vazamento é aparente, na estrutura enterrada, as perdas não são facilmente visualizadas. Daí a importância da manutenção preventiva", afirma o engenheiro Edson Victor Souza, diretor comercial da Hagaplan.

Ao menor sinal de vazamento ou baixa pressão, é preciso uma investigação minuciosa para descobrir a causa do problema. De acordo com Dante Ragazzi Pauli, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), isso significa ter uma equipe mínima de operação para poder correr a linha verificando todos os pontos, em uma periodicidade sistemática.

Fotos: divulgação Agencia Brasil
Um dia depois do rompimento da adutora da Cedae na zona Oeste do Rio de Janeiro, uma tubulação de água se rompeu na zona Norte da mesma cidade

Fiscalização na implantação:
A origem dos problemas em um sistema de adução pode estar relacionada à forma como o sistema de adução foi implantado.

E, por isso, é muito importante uma fiscalização próxima de cada uma das etapas da obra. A NBR 12.215 - Projeto de Adutora de Água para Abastecimento Público traz todas as especificações e testes necessários.

A seguir, algumas etapas da implantação que merecem atenção especial, segundo os engenheiros consultados:

Material
Para cada tipo de pressão, terreno, altura, temperatura, fluidos, variação de carga, o projetista estipula um tipo de material a ser empregado na adutora. O que se busca é a melhor relação desempenho x segurança. Para isso, são feitos cálculos hidráulicos e de segurança.

Quando há mudança de material sem revisão dos cálculos, há risco. "Não adianta um fornecedor defender o seu material, dizendo que é bom. Cada material serve a especificidades de projeto e a troca só pode ser feita com anuência do projetista e avaliação dos cálculos necessários que confirmem a adequação do material para aquele tipo de solo e pressão", afirma Souza.

Construção
Alterações em projetos, por mais simples que pareçam, também precisam ser alvo de análises. De acordo com o engenheiro da Hagaplan, um pequeno desvio na trajetória da adutora ou em seu alinhamento, por exemplo, pode causar uma deflexão não prevista no projeto, de acordo com devido cálculo de ancoragem. "O correto é essa mudança de rota passar pelo autor do projeto para que ele verifique o impacto que isso pode acarretar no material escolhido e no posicionamento da tubulação", alerta.

Segundo Pauli, nenhuma obra está livre de ajustes em sua implantação, mas é preciso redobrar a atenção no caso das adutoras. "Qualquer ajuste deve ser feito com acompanhamento do fiscal."

Durante a implantação, de acordo com Thiago Maziero, gestor operacional da Prolagos, ocorre uma fiscalização dos dispositivos enterrados por meio do teste hidrostático e de inspeção visual durante e após o processo de soldagem ou emendas.

 

Fotos: divulgação Agencia Brasil
Em agosto, uma adutora da Cedae se rompeu no Rio de Janeiro, encobriu casas e carros, desabrigou 17 famílias e provocou a morte de uma criança

 

Recobrimento e berço
O reaterro e o berço devem ser avaliados com rigor para que toda a estrutura seja protegida adequadamente. O projeto executivo deve trazer as informações condizentes com o espaço, tipo de solo e para a dimensão do sistema. Mudar o solicitado na execução pode acarretar em problemas futuros. Cimento magro, concreto, brita ou envoltória de areia são soluções para otimizar o uso do sistema e devem ser respeitadas.

 

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