Ginásio poliesportivo | Infraestrutura Urbana

Equipamentos Públicos

Ginásio poliesportivo

A especificação e o dimensionamento corretos de cada subsistema possibilitam construção adequada à múltiplas modalidades esportivas. Veja referenciais de projeto

Por Simone Sayegh
Edição 3 - Maio/2011

São muitos os erros cometidos quando se desenvolve um projeto de ginásio poliesportivo, e isso pode ser constatado quando se analisa a eficiência de uso dessas construções nas pequenas e até grandes cidades em todo Brasil. Um projeto deficiente pode ser plenamente aceito por prefeituras que não contam com um corpo técnico especialista no assunto, e parte-se para a construção de um equipamento caro que irá gerar inconveniências e até impossibilidade de uso por toda uma gestão.

As falhas vão desde a correta dimensão da quadra (especificação facilmenteencontrada em sites oficiais de cada modalidade) até casos mais inverossímeis, como a falta de acesso entre o piso da quadra e a arquibancada. "O projeto de uma secretaria de esportes tinha a quadra, vestiários e depósitos cerca de 1,5 m abaixo do nível da arquibancada, só que não havia nem rampa, nem portas, nem escada de acesso. Se fosse construído, os atletas teriam que 'pular' da arquibancada para a quadra e 'escalar' para sair", conta a arquiteta Patrícia Totaro, especialista em arquitetura esportiva e consultora da Abriesp (Associação Brasileira da Indústria do Esporte).

Patrícia também cita outras "pérolas", como quadras poliesportivas com piso de tijolo e um campo de futebol society quadrado. "Sobrou espaço nas laterais e eles resolveram aumentar a largura do campo", explica. Essas e outras deficiências podem ser evitadas se cada subsistema for tratado com importância primordial dentro do projeto global do ginásio, mesmo que aparentemente o detalhe não esteja diretamente ligado com a prática esportiva. "Se está tudo correto, dentro das especificações, mas a largura da boca de acesso ao depósito de material esportivo é pequena, já aí se inviabiliza o estoque de estruturas maiores para eventuais eventos de grande porte das prefeituras", explica o arquiteto e consultor em arquitetura esportiva Eduardo de Castro Mello.

Os arquitetos concordam sobre a importância de se fazer a especificação do espaço esportivo com um especialista, que pode ou não contar com assessoria de um profissional de educação física. Antes da especificação, os pontos principais a serem analisados são a quantidade de horas e dias que o espaço esportivo será utilizado, o número máximo de usuários que vai receber e qual tipo principal de uso. Na contratação das empresas fornecedoras é importante checar se elas atendem às normas técnicas brasileiras, e se os métodos necessários para a execução e conservação de cada subsistema são onerosos. "Muitas vezes o gestor acaba ligando para várias empresas e cada uma delas manda uma especificação diferente de acordo com o produto", conta Patrícia.

Mesmo depois de tudo acertado, um alerta: as regras das modalidades mudam no decorrer do tempo, portanto antes de tirar da gaveta um projeto de cinco anos, deve-se atualizar dimensionamentos e checar se o local abrigará competições nacionais ou internacionais, pois se a quadra for profissional, deve obedecer aos regulamentos das confederações de cada modalidade esportiva.

Para tentar minimizar eventuais problemas e municiar o contratante ou gestor de obras com informações relevantes, a revista Infraestrutura Urbana montou um roteiro com especificações básicas sobre cada subsistema, de maneira a auxiliar na análise ou desenvolvimento de um projeto de ginásio.

Fonte: ARQ-PE-FLH
Planta térrea de ginásio poliesportivo projetado pelo escritório Castro Mello segundo as normas técnicas brasileiras. Ginásio tem capacidade de público de 500 pessoas, quadra poliesportiva de 24 m x 45 m, quatro bilheterias, oito sanitários, sendo quatro adaptados, dois vestiários para atletas e outros dois para árbitros.

 

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