Favela de Paraisópolis ganha edifício multiuso com habitação, comércio e centro comunitário | Infraestrutura Urbana

Tecnologia

Modelo de projeto

Favela de Paraisópolis ganha edifício multiuso com habitação, comércio e centro comunitário

Prédio multifuncional na comunidade de Paraisópolis, região metropolitana de São Paulo, inclui área comercial, habitação de interesse social e centros comunitários

Por Carlos Carvalho
Edição 25 - Abril/2013
 

Edifício multiúso do Grotinho faz parte do processo de urbanização da favela de Paraisópolis

Como parte do Programa de Urbanização de Favelas da Prefeitura de São Paulo, a comunidade de Paraisópolis, na região Sul da capital paulista, ganhou um prédio multiúso na área conhecida como Grotinho, sujeita a alagamentos e deslizamentos de terra. O projeto, assinado pelo arquiteto Marcos Boldarini, faz parte da segunda etapa da urbanização do local. A primeira foi a desapropriação da área com maior declive do espaço, seguida pela construção de uma praça pública.

"A ideia era de que o edifício fosse um complemento à praça projetada pelos arquitetos Suzel Márcia Maciel e Carlos Dias, que agregasse outros usos a ela e que fizesse parte da mudança de paradigma que a urbanização estava promovendo ao qualificar esse espaço", diz o arquiteto responsável pelo projeto do edifício multiúso.

Segundo Boldarini, antes da urbanização, o local era ocupado de maneira desordenada, sem infraestrutura e em uma condição de relevo e topografia que o constituía em uma área de alagamento. "Não é à toa que o nome do local seja Grotinho, pois havia uma pequena grota na topografia do local", completa Boldarini.

Composição
O prédio multiúso é composto por três blocos interligados, com áreas comerciais, habitações de interesse social, centro comunitário e Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que inicialmente seria um comércio, mas, segundo Boldarini, foi articulada junto à Secretaria de Serviço Social a instalação de uma unidade do centro. "A questão mais difícil ao realizar o projeto foi entender a morfologia do lugar, as atividades e os usos que estavam estabelecidos ali", diz o arquiteto.

O primeiro bloco (em estrutura horizontal) abrange cinco áreas para comércio, no térreo, com 100 m² no total, mais um pavimento superior com duas habitações, de 50 m² cada, com dois quartos, sala, cozinha, área de serviços e banheiro.

O segundo bloco, intercalado entre os conjuntos horizontal e vertical, compreende uma estrutura de pavimento único, com 60 m², destinada ao centro comunitário. Já o terceiro bloco, com três pavimentos, contempla uma unidade do Cras, no térreo, com 50 m², e duas habitações no primeiro e segundo andares, semelhantes às habitações do primeiro bloco.

Boldarini explica que dividir a edificação em três blocos foi necessário, principalmente, para adequá-la às condições da gleba. "O local tem um terreno com variações altimétricas, além da geometria em curva. Por isso, fizemos um primeiro bloco que parece um pavilhão", diz.

A disposição dos blocos é ascendente, sendo o segundo bloco situado meio nível acima do primeiro e o terceiro na mesma proporção em relação ao segundo. "Com isso, foi feita uma espécie de jogo de amarrações com um elemento em concreto que faz referência ao que seria uma dobradura, um origami interligando os três blocos", completa o projetista.

 

Elemento em concreto (em vermelho) mantém abertos os acessos dos moradores
Passarela no pavimento superior do bloco 1 faz a conexão com o bloco 2, em frente ao centro comunitário

 

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>