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Ponte empurrada

Odebrecht opta por técnica para vencer vão de 300 m na República Dominicana e ganha tempo

Por Cleide Floresta
Edição 24 - Março/2013
Fotos: Divulgação Odebrecht
Ponte sobre Rio Chavón, na República Dominicana. Obra substituiu antiga estrutura destruída pela passagem do Furacão Jeanne, em 2004

Quando começou o projeto executivo da ponte Chavón, que integra o complexo da Estrada do Coral, na República Dominicana, a Odebrecht trabalhava com a opção de um sistema construtivo de balanço sucessivo. Em campo, porém, perceberam que uma falha geológica no local dificultaria a execução com esse método. A solução proposta e executada pela equipe foi, então, a do sistema de ponte empurrada.

O resultado é animador: uma economia de tempo e dinheiro. Enquanto a previsão inicial dos empreiteiros era que a obra levaria em torno de 20 a 22 meses e consumiria cerca de US$ 45 milhões a US$ 50 milhões, na prática, a ponte ficou pronta em 14 meses e contou com investimentos de US$ 40 milhões.

Alguns fatores, explica Juvenalito Gusmão, diretor de contrato da Odebrecht na República Dominicana, favoreceram a adoção do método. O principal deles foi a possibilidade de montar uma praça de trabalho ao lado da obra que comportasse toda a estrutura. Isso porque nessa técnica, a ponte é literalmente construída no chão para depois ser deslizada pelos pilares até seu assentamento total - no caso da ponte Chavón, uma estrutura tinha 302 m de comprimento em vigas de aço.

Dados da Ponte Chávon
Comprimento: 302 m
Altura: 40 m
Peso: mais de 2.500 t
Vãos: quatro no total, o maior com 82,5 m de comprimento
Fundação: composta por 65 estacas escavadas, com comprimentos de 40 m a 60 m

Os dois caixões metálicos foram fabricados e pré-moldados em uma oficina industrial em módulos, e a montagem final se deu na praça de trabalho. Como a ponte é construída em solo, todo o processo foi realizado enquanto ocorriam os trabalhos de fundação do terreno. Em outras palavras, quando os pilares ficaram prontos, a estrutura da ponte já estava construída para ser instalada no local. Até uma usina de concreto foi montada nesse imenso canteiro, que também serviu de base para a construção da Estrada do Coral.

De acordo com Gusmão, a técnica é indicada nos casos em que é preciso vencer vãos médios, em torno de 70 m a 80 m de comprimento. "Recomendo o sistema porque há um ganho de tempo. Para vão maiores que esse, tem de entrar em outro tipo de avaliação. Aí, a solução depende caso a caso", explica.

Na obra, a Odebrecht integrou um consórcio com o grupo dominicano Moya. Foram envolvidos na construção da ponte, inaugurada em agosto de 2012, 230 funcionários e 12.456.065 horas trabalhadas. A Estrada do Coral liga as cidades La Romana e Punta Cana, na região leste do país, que concentra o forte do turismo da República Dominicana.

Escolha do método
"Quando começamos a obra para fazer o desenho executivo, fizemos uma sondagem em todo o leito do rio e identificamos uma falha que inviabilizava o balanço sucessivo, porque o vão central era de 120 m, e um dos apoios desse vão central estava muito próximo a essa falha", explica Gusmão. Ao reconfigurar a ponte e criar uma estrutura a mais para que os apoios se afastassem o máximo possível dessa falha, chegou-se a quatro vãos, cada um em torno de 75 m a 80 m - o maior tem 82 m. Com essa dimensão, a equipe percebeu que valeria mais a pena optar pela técnica de ponte empurrada, que pouparia tempo e geraria uma economia financeira. "Resolvemos reconfigurar a ponte e fazer a estrutura metálica para esses vãos", comenta o diretor de contrato.

Divulgação Odebrecht
Identificação de falha geológica leva a reconfiguração dos pilares da ponte, com criação de quatro vãos

 

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