Casa modular | Infraestrutura Urbana

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Casa modular

Governo do Rio de Janeiro adota módulos metálicos e constrói uma habitação a cada quatro dias, ao custo de R$ 57 mil a unidade. Moradias serão doadas às vítimas das cheias da região serrana

Por Carlos Carvalho
Edição 24 - Março/2013
João Carlos Mirnda
Casas montadas no município de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, uma das cidades afetadas pelas chuvas de 2011

O Governo do Rio de Janeiro vai construir 694 casas na região serrana do Estado para abrigar as vítimas das chuvas ocorridas na região em 2011. As moradias já estão em construção e a primeira etapa da obra será concluída neste mês, com a entrega de 150 unidades no município de Nova Friburgo.

Apesar da demora entre a tragédia e o início das construções, a escolha pelo sistema construtivo aponta uma alternativa para a edificação rápida de habitações populares de interesse social: o mobile steel, sistema de módulos metálicos autoportantes constituído de painéis estruturais do tipo sanduíche (aço galvalume + poliuretano + aço galvalume) que formam as paredes interna e externa da casa. As portas e esquadrias metálicas integram os painéis, e a cobertura é composta por telhas termoacústicas de aço preenchidas por poliestireno expandido (EPS). Como todo o conjunto é modular, os componentes dos sistemas elétrico e hidráulico são embutidos nos próprios painéis, evitando quebras no canteiro e agilizando a instalação.

"A grande vantagem da utilização desse método na construção das casas, principalmente as da região serrana do Rio de Janeiro, é a rapidez na montagem do sistema, que permite a entrega de uma unidade pronta em quatro dias, além da limpeza no canteiro", diz o engenheiro civil Diogo Visconti, da Irmãos Fischer, empresa responsável pela tecnologia.

O custo-benefício da solução construtiva também é competitivo. "Trabalhamos com um custo, aproimadxamente, 20% abaixo do de uma construção em alvenaria convencional", completa Visconti. Contratada via pregão presencial do tipo menor preço, a construtora Cohabita receberá R$ 39 milhões para a construção das 694 moradias nas cidades de Nova Friburgo, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro, Bom Jardim, Petrópolis e Teresópolis. Em resumo, o custo por unidade da casa modular é de R$ 57 mil.

Normas e avaliações de desempenho
O modelo de casa modular passou por testes para garantir as condições ideais de uso. As avaliações foram realizadas pela Fundação Luiz Englert e pelo Laboratório de Segurança ao Fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Confira os resultados:

- Ensaio de impacto de corpo duro: a parede ensaiada apresenta nível de desempenho compatível com a classificação M (mínimo) da norma NBR 15.575/2010, sendo adequada para o uso pretendido, em relação a impactos de corpo duro.

- Ensaio de impacto de corpo mole: a parede ensaiada apresenta nível de desempenho compatível com a classificação M (mínimo) da norma NBR 15.575/2010, sendo adequada para o uso pretendido.

- Ensaio de compressão axial de painéis: carga crítica de esmagamento da base do painel na ordem de 92 kN, o que corresponde a uma tensão de 1,39 MPa para a seção transversal total (6 cm x 110 cm), adequada para o uso pretendido.

- Ensaio de compressão excêntrica de painéis: atende às prescrições e ao anexo A da NBR 15.575-2:2008.

- Impacto de corpo mole e fechamento brusco de portas: a interação das portas com o sistema de vedação vertical externo e interno apresenta desempenho M (mínimo), sendo adequada para o uso pretendido.

- Segurança ao fogo: excelente desempenho ao fogo, atendendo aos requisitos para fuga dos usuários, satisfazendo as demandas de resistência ao fogo da estrutura e apresentando desempenho superior em termos de impacto sobre a vizinhança.

- Determinação da ignitabilidade do poliuretano expandido (P.U.): chama não atingiu a marca de 150 mm, o que corresponde ao atendimento da norma BS EN ISO 11.925-2.

- Desempenho quanto à reação ao fogo do poliuretano expandido (P.U.): classificação III-A da Instrução Técnica no10 do Decreto no 56.819.

- Estanqueidade: compatível com o nível de desempenho I (intermediário) - sem manchas na face oposta à incidência de água -, sendo plenamente adequada para o uso pretendido.

- Conforto térmico: ótimo potencial para edificações com adequado desempenho térmico.

- Desempenho térmico: atende às oito zonas bioclimáticas brasileiras.

- Comportamento de SVVE de painéis à ação de calor e choque térmico: desempenho M (mínimo) e plenamente adequado para o uso pretendido em relação à ação do calor e de choque térmico.

- Conforto acústico: obtido nível de desempenho compatível com a categoria M (mínimo) da NBR 15.575/2010, adequado para o uso pretendido.

- Durabilidade: mostra-se adequada, em termos de durabilidade, para fins pretendidos, em ambientes urbanos, rurais, marítimos e industriais.

- Capacidade de suporte a peças suspensas: a parede ensaiada é compatível com o nível de desempenho M (mínimo), sendo plenamente adequada para o uso pretendido em relação à capacidade de cargas suspensas, considerando o dispositivo de fixação ensaiado.

- Segurança ao vento (análise teórica): a casa está ancorada à fundação e os parafusos são adequados para ancorar o telhado nas paredes. Flexão de parede lateral submetida à carga de vento: atende aos requisitos da NBR 15.575-2 em relação aos deslocamentos laterais máximos e suportam de forma adequada a ação de vento para uma velocidade básica de Vo = 50 m/s (180 km/h).

- Flexão de telhas submetidas à carga de vento: atende aos requisitos da NBR 15.575-2 em relação aos deslocamentos laterais máximos e suportam de forma adequada a ação de vento para uma velocidade básica de Vo = 50 m/s (180 km/h), correspondendo à pior situação do mapa de isopletas do Brasil.

- Arrancamento da parede lateral submetida pela ação de vento: resiste com segurança à carga de tração produzida pela ação de sucção do vento na cobertura. Essa ação do vento corresponde às regiões mais críticas do Brasil, com velocidade básica de Vo = 50 m/s (180 km/h).

- Ensaio de flexão do telhado: resiste com segurança à carga de tração produzida pela ação de sucção do vento na cobertura. Essa ação do vento corresponde às regiões mais críticas do Brasil, com velocidade básica de Vo = 50 m/s (180 km/h).

 

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