Via de pedestres vira galeria | Infraestrutura Urbana

Tecnologia

Via de pedestres vira galeria

Projeto transforma rua comercial em galeria pública e coberta para circulação de pedestres

Por Karla Rubia
Edição 20 - Novembro/2012



Fazer de uma via de pedestres uma galeria pública e comercial. Esse foi o projeto que motivou a reurbanização do epicentro comercial da cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense (RJ): a Avenida Mirandela. Com investimentos da ordem de R$ 5,7 milhões, financiados em parceria pela Prefeitura de Nilópolis e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, a obra em andamento prevê a cobertura de trecho de 200 m da via, a reforma do calçadão de acordo com premissas de segurança e acessibilidade e o aterramento da fiação aérea. "O resultado é o resgate urbanístico de um espaço estratégico na região central da cidade, que antes estava desvalorizado e visualmente poluído pela presença extensiva de camelôs e de uma infraestrutura precária", comenta o arquiteto responsável pelo projeto Vicente Loureiro, subsecretário estadual de projetos de urbanismo.

A galeria será interligada à estação ferroviária SuperVia, com acesso direto por escadas e elevadores. Numa segunda etapa do projeto, planeja-se reformar a estação ferroviária, dando lugar ao que se chamará " shopping rede", além de promover a revitalização da Praça Paulo de Frontin, ao lado da estação. "A intenção é que este seja um marco urbanístico para a população não só de Nilópolis, como da Baixada Fluminense. Nessa região, não há nada similar com esta estrutura", diz a secretária de obras de Nilópolis, Patrícia Abdalla.

Na repaginação da Avenida Mirandela, o principal desafio foi garantir sombreamento em toda a extensão da via, dada as altas temperaturas da região. "Se nossa intenção era fortalecer o comércio local e criar um espaço confortável à circulação de pedestres, tínhamos que projetar uma cobertura leve e arejada que proporcionasse proteção contra o sol e a chuva", informa o arquiteto Loureiro.

 


Marquises laterais protegem pedestres da chuva e do sol

 

Com base nesse conceito, a cobertura projetada para o trecho de 200 m se dividiu em três elementos. O primeiro é uma grande marquise longitudinal que se eleva a 10,5 m do chão e garante sombreamento em quase toda extensão da via. É estruturada com pilares tubulares de aço (que servem de estrutura e canal de escoamento de água) e vigas metálicas, que suportam dois telhados metálicos cobertos por forro e telhas.

Lateralmente a essa cobertura, duas marquises menores, de 4,5 m de altura cada, protegem os pedestres da chuva e do sol nas extremidades à esquerda e à direita da via. As estruturas, acobertadas por brises de policarbonato autolimpante e com película de proteção solar, substituem antigas marquises, que já estavam desniveladas e sem padrão único - ora em concreto, ora em metalon.

Por fim, ao centro do trecho de 220 m da via, uma terceira cobertura com altura intermediária em relação à marquise principal e às laterais é estruturada com sistema roll on, em que treliças paralelamente dispostas suportam placas de policarbonato na cor branca. São 36 m de área livre sem apoio. Abaixo dessa estrutura, está sendo construída uma área de interação social por onde circulam diariamente cerca de 40 mil pessoas, segundo a prefeitura.

 


Cobertura em três patamares

 

"Com esse projeto, o usuário que sai da estação ferroviária tem acesso direto a uma galeria comercial com clima agradável e infraestrutura segura para circular", comenta Loureiro. À noite, o espaço contará com uma iluminação cênica formada por spots de led localizados na cobertura espacial da praça e integrados às estruturas metálicas e às palmeiras, "o que permitirá inclusive prolongar o horário de funcionamento das lojas, dado que a rua estará mais bem iluminada", diz o arquiteto.

A revitalização da via, com vistas a acabar com a poluição visual que antes protagonizava o espaço, também incluiu o aterramento de toda fiação de serviços públicos (cabos de fibra óptica, TV a cabo, telefonia e iluminação pública), ordenada com pontos de visitação paginados no piso. Os custos da rede subterrânea foram assumidos pelas concessionárias correspondentes, enquanto a verba para as obras civis adveio das instâncias municipais e estaduais.

 

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
Destaques da Loja Pini
Aplicativos