Galeria pluvial em V | Infraestrutura Urbana

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Drenagem urbana

Galeria pluvial em V

Departamentos de Estradas de Rodagem adotam dispositivo de macrodrenagem inovador que aumenta a velocidade do escoamento e não acumula detritos. Conheça o sistema

Por Marina Pita
Edição 13 - Abril/2011

Uma inovação brasileira começa a aparecer entre os projetos de galeria de água pluvial e canalização de rio. Trata-se da galeria multidimensional de concreto pré-fabricado, criada pelo engenheiro Maurício Santiago, e indicada para a drenagem de águas pluviais, canalização de rios e esgotamento sanitário. A geometria triangular, com fundo curvo e parede inclinada, é um dos destaques da solução porque aumenta a velocidade do escoamento e impede a acumulação de resíduos.

Apesar de nova, a galeria multidimensional já tem sido especificada por alguns clientes de peso como os Departamentos de Estradas de Rodagem (DER) do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Um dos fatores que a diferencia das soluções tradicionais é o fato de ser aplicada próxima à superfície, dispensando enterramento em valas profundas. Com isso, o dispositivo pode ser vedado e sua tampa protendida ser usada também como pavimento para o tráfego, atendendo ao trem-tipo classe 45.

Maurício Santiago
Galeria tem formato em V para acelerar o escoamento da água e não sedimentar detritos

Isso só é possível por conta da resistência obtida com o uso da protensão do concreto, que garante também maior durabilidade às peças pré-fabricadas. O concreto utilizado é de alto desempenho, com resistência de 30 MPa, autoadensável. A protensão ainda garante utilização ótima do aço e concreto, ou seja, usados em menor quantidade.

A execução da galeria próxima à superfície traz ainda outra vantagem: dispensa maiores movimentações de terra e aterros estabilizados. A estabilização se dá por meio da adoção de berços biapoiados, projetados para funcionarem como elementos de fundação. Os berços ficam sobre o estaqueamento, exercendo também a função de bloco de coroamento de estacas. Sobre os berços é lançado o fundo circular protendido, em encaixes macho x fêmea, com utilização de mástique, para garantia da estanqueidade. Eles são então aterrados para estabilização da sub-base e base.

De acordo com Santiago, o responsável técnico pelas galerias multidimensionais, sua implementação requer 70% menos movimentação de terra. "Isso faz com que o custo da construção caia bastante, uma vez que em obras de galerias tradicionais, a movimentação de terra corresponde de 50% a 60% do custo total."

Colocado o fundo, as paredes são lançadas e, travadas ao fundo em pino, são feitos: o grauteamento (para unificação) e reaterro das cavas até o nível limite das paredes, o reaterro e a compactação das laterais do canal para a colocação das respectivas tampas, que após o lançamento serão grauteadas.

O tamanho das paredes tem dimensões múltiplas, ou seja, varia de acordo com cada projeto e com o volume de água previsto. A tecnologia também prevê elementos curvos na composição de galerias, sendo que as versões duplas e triplas já estão disponíveis (veja formatos à parte). "A galeria multidimensional pode ser adotada em vazões de 0 a 4,8 m³/s, e até 10 m³/s em cada uma", afirma Santiago.



O baixo peso de cada uma das peças do conjunto - composto por fundo, berços, paredes e tampas - é um dos motivos que explicam a velocidade da montagem in loco

 

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