Sistema de laje acelera obras da Linha 5-Lilás, em São Paulo

Lajes alveolares compõem estrutura de túnel na estação Borba Gato da Linha 5-Lilás do Metrô

Em execução desde maio de 2011, as obras das novas estações da Linha 5-Lilás, do Metrô de São Paulo, têm sido marcadas pelo uso de lajes alveolares em sua estrutura. A escolha pelo material se dá graças a atributos que passam pela agilidade na montagem e versatilidade, uma vez que esse tipo de laje pode ser utilizado em qualquer sistema construtivo e atende a diferentes medidas de vão, desde que se respeite as prescrições normativas.

Além disso, há casos em que o material foi utilizado para o poço da estação. “Existe um poço de acesso para o público com as escadas rolantes dentro da estação e tem outro poço, que fica dentro desses prédios. Esse poço possui uma escadaria, e a parte de laje desses poços de acesso foi toda feita com pré-moldado também”, afirma André Pagliaro, sócio-fundador da Alveolare Brasil.

Como cada estação tem sido executada por uma construtora ou consórcio diferente, a quantidade de fornecedores é variada. A Alveolare Brasil fabricou as lajes para as estações Alto da Boa Vista e Borba Gato, ambas construídas pelo consórcio Galvão Serveng, e também a estação Campo Belo, executada pela construtora Mendes Júnior.

Futura estação Borba Gato do Metrô, na Zona Sul da capital paulista. A obra tocada pelo consórcio Galvão Serveng teve o poço de acesso para o público construído, em partes, com o sistema de lajes alveolares. As peças pré-moldadas têm largura padrão de 1,25 m

Nas três estações, foram utilizadas peças pré-moldadas com largura padrão de 1,25 m, incluindo a conexão longitudinal (chaveta). As alturas são variáveis em três perfis diferentes: H16 (16 cm), H21 (21 cm) e H26 (26 cm). “A escolha pelo perfil correto para cada aplicação varia de acordo com o vão e a capacidade de carga que essa laje precisa ter”, explica Pagliaro, que ressalta que esse tipo de informação deve constar em projeto.

Para garantir o sucesso da execução das lajes, o projeto foi feito com a participação de todas as partes. “A empresa contratada para execução desse projeto estrutural era de fora do Brasil. Então, a gente fez uma interação com ela e com a equipe técnica do Metrô”, afirma Pagliaro. Essa etapa é importante, pois vai definir todo o cronograma de entrega de peças, as soluções escolhidas e a montagem das peças.

O processo de montagem da laje alveolar é simples e repetitivo. No caso da obra das estações, as peças foram erguidas por caminhões-grua e fixadas justapostas uma ao lado da outra, tanto no prédio das salas técnicas quanto no poço. “Existe uma rede de vigas que faz as divisões onde se vão apoiando as lajes lado a lado”, explica Pagliaro. O rendimento da equipe de montagem variava de 200 m² a 400 m² por dia.

Em seguida, foi realizado o chaveteamento, também chamado de rejuntamento, que é o preenchimento do espaço entre as chavetas das lajes, unindo uma peça à outra. Esse processo garante a adequada transferência de carga para a laje adjacente. Isso só é possível porque o concreto da chaveta funciona como um cilindro que transmite esforço cortante entre as lajes, o que garante que a movimentação relativa entre as lajes seja evitada.

Para consolidar a capacidade de carga e uniformizar os deslocamentos, foi realizada a complementação com uma fina capa de concreto de 5 cm a 8 cm de espessura. “O capeamento, na verdade, é um complemento da estrutura como um todo. Você transforma a estrutura em hiperestática e consegue melhorar a capacidade de carga e de trabalho dela”, relata Pagliaro.

Todo o processo de montagem e o projeto foram realizados de acordo com a norma ABNT NBR 6118, que dispõe sobre Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento, e com a norma específica para lajes alveolares, a ABNT NBR 14861:2011. Além disso, a empresa fornecedora oferece um manual de utilização do produto. Também é prática comum a presença de encarregados da fornecedora para acompanhar a obra, bem como casos em que a própria empresa faz a montagem das lajes.

FICHA TÉCNICA 

Linha 5-Lilás do Metrô (trecho Adolfo Pinheiro-Chácara Klabin)
Localização: São Paulo (SP)
Data de início: maio de 2011
Previsão de entrega: 2018
Número de estações: 11
Extensão: 19,9 km