Data center é construído em apenas sete meses na Grande São Paulo

A fundação executada em sistema de hélice contínua e estacas moldadas in loco recebeu as peças de concreto pré-moldado

Sete meses foi o tempo necessário para ser erguido o primeiro data center da Odata, empresa especializada em infraestrutura para servidores de distribuição de dados em larga escala. Localizado em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, o empreendimento foi construído dentro do prazo graças à escolha do método construtivo com peças pré-moldadas, além do esforço de uma equipe que envolveu 1.498 profissionais ao longo de todo o período de projeto e edificação. Ao todo, foram investidos R$ 400 milhões.

Entregar uma obra em apenas 210 dias requer, antes de tudo, um projeto detalhado e um planejamento adequado para que a execução ocorra de acordo com o tempo previsto. “Foi necessário bastante planejamento, bastante recurso, mão de obra especializada, parceiros corretos, tudo isso para a gente conseguir vencer esse desafio”, explica Antônio Carlos Marchini Jr., diretor de obras da Afonso França Engenharia, empresa que ficou responsável pela construção.

Em termos gerais, a escolha pelo pré-moldado foi determinante para o cumprimento do cronograma de curto prazo. Afinal, quanto mais industrializada é uma obra desse porte, mais rápida se torna sua execução. “A estrutura e o fechamento perimetral foram feitos com placas pré-moldadas, incluindo o prédio administrativo. O que facilita bastante na hora em que você vai executar uma obra rápida”, explica Marchini, diretor da Afonso França.

Um dos motivos pelo qual a construtora foi escolhida é o fato de a empresa já possuir em seu portifólio empreendimentos de missão crítica, nos quais o funcionamento não pode ser interrompido. Dentro das mais de 500 obras realizadas pela empresa, estão outros dois data centers e mais de 15 hospitais, onde a criticidade também é característica.

Em edifícios de missão crítica, todas as instalações (hidráulicas, elétricas, ar-condicionado) são executadas com diversas redundâncias para que, no caso de interrupção de algum sistema, sempre haja outro de backup, a fim de assumir o funcionamento da edificação. “Em uma obra normal, você teria um gerador. Em uma obra de missão crítica, são dois geradores, sempre com um reserva”, afirma Marchini.

Esse esquema acaba influenciando na obra porque a construtora precisa criar espaços para que todos os equipamentos sejam instalados. Nas salas de geração de energia elétrica, por exemplo, foram instalados 15 geradores a diesel Caterpillar, de 1.8 MW a 3 MW, prontos para serem acionados em qualquer eventualidade.

Demolição e terraplenagem
A obra do data center foi realizada em um terreno de 22.800 m², onde anteriormente havia um galpão logístico desativado. Dessa estrutura, apenas a base do piso e a torre da caixa d””água foram aproveitadas. “No estudo que fizemos, percebemos que não valia a pena aproveitar a parte do prédio administrativo ou do galpão, porque iria dar mais trabalho reforçar. Então, optamos com o cliente por demolir tudo e construir novamente”, destaca o diretor.

Antes de erguer os 14.200 m² de área construída foi necessária também uma ligeira terraplenagem no terreno para adaptações. O único movimento de terra foi feito para a pavimentação externa, nada muito sofisticado. “Foi removido o piso existente, que era de paralelepípedo, retrabalhada a subbase com o próprio solo local e preparada uma nova base em brita graduada simples (BGS)”, afirma Marchini.

Modelo tridimensional do complexo de servidor de dados erguido em Santana de Parnaíba, em São Paulo
As peças pré-moldadas agilizaram o processo de montagem da estrutura, diminuindo significativamente o tempo de canteiro

Fundação
A fundação foi realizada em hélice contínua, na qual a estaca de concreto é moldada in loco através da introdução de uma haste tubular dotada externamente da hélice (ou trado contínuo). A injeção do concreto é feita pela própria haste tubular, simultaneamente enquanto está sendo retirada, mantendo uma pressão de injeção para evitar vazios no fuste da estaca. Todo o processo é realizado com uma perfuratriz hidráulica sobre esteira.

Enquanto as fundações eram realizadas para receber toda a estrutura em pré-moldado, as peças que seriam montadas começaram a ser fabricadas, a fim de agilizar o cumprimento do cronograma. “Houve um planejamento intensivo das atividades e da gestão. Todos estávamos muito comprometidos com a entrega na data acordada, e isso foi fundamental”, avalia Antônio Carlos Marchini Jr, diretor da Afonso França.

Outro detalhe que permitiu o cumprimento do prazo foi a construção simultânea dos dois edifícios do empreendimento (que são interligados, mas independentes): o prédio administrativo, onde ficam os escritórios, e a área de TI, que configura o data center em si. “A gente começou pelo data center, que foi a parte mais crítica do empreendimento, por causa da chegada dos equipamentos importados, e terminamos pelo prédio administrativo”, conta Marchini.

Data center
O prédio de TI, onde se encontram os data centers, foi construído em uma área de 10 mil m² e um único piso. A edificação possui salas de geração de energia, corredores técnicos de distribuição de energia e climatização e as salas de TI (cada uma com 308 m²), onde ficam os racks e os servidores de armazenamento de dados. Cada sala de TI fica ao lado das salas de geração de energia e dos corredores técnicos.

As salas de TI têm um piso industrial de concreto com malha dupla feito para o data center. Em cima desse piso de concreto, vai o piso elevado, de 70 cm, para que a climatização do ambiente ocorra por baixo. Para facilitar a manutenção dos sistemas, a Odata optou por fazer o cabeamento de distribuição de energia elétrica e de rede passando por cima das salas de TI, e não pelo piso elevado.

A construção do prédio foi realizada praticamente toda em estrutura de concreto pré-moldado, inclusive as placas de fechamento. “É como se fosse uma parede de concreto, que é pré-moldada na indústria e montada na obra. Então, ela chega pronta, é erguida por um guindaste e, em seguida, encaixada com inserts metálicos”, explica Marchini.

Internamente, foi tudo fechado com sistema drywall. “Este é um método construtivo que é muito mais rápido do que alvenaria com emboço e reboco”, avalia o diretor. Apenas nas salas de TI que fazem divisa com o prédio administrativo foi utilizada alvenaria com blocos de concreto na parede perimetral. As outras três paredes dessas salas foram construídas em drywall.

Uma das preocupações analisadas em projeto era que esse prédio fosse adaptado contra incêndios. Além das paredes de drywall já serem contra incêndios, os blocos de concreto das paredes de alvenaria também foram revestidos com graute, a fim de criar essa proteção. “E a placa externa pré-moldada, pelo fato de já ter essa espessura do concreto, já é contrafogo”, afirma Marchini.

Outro ponto de atenção que é fundamental em uma obra de data center é a questão da estanqueidade. Neste caso, o ponto mais vulnerável é a laje, que foi impermeabilizada com manta asfáltica dupla, um produto especial, importado, com 13% de polímeros.

Foram construídas lajes pré-moldadas com caimento para as fachadas, para que a água da chuva circule para fora do empreendimento, aumentando a segurança interna. “É como se fosse um beiral, vamos dizer assim, que fica fora da projeção do prédio de TI”, conta Marchini. Dessa maneira, a água é conduzida através de uma tubulação para uma rede de água pluvial pública. Ou seja, mesmo diante de qualquer ponto frágil, nunca vai cair água dentro do data center.

Prédio administrativo
Diante do desafio que foi montar uma edificação de missão crítica como o prédio da área de TI, a obra do prédio administrativo pode até ser considerada de execução simples. No entanto, diante do prazo curto, a logística e a organização foram etapas essenciais para garantir o sucesso do empreendimento.

Conforme explica o diretor de obras da Afonso França, essa logística envolve desde o cronograma de fabricação e recebimento das peças até como será a entrada do guindaste no canteiro. “Quando você vai montar um pré-moldado, precisa ter uma logística bem afinada, trabalhada e planejada para que seja possível ir montando o pré-moldado e, na sequência, as instalações, acabamentos e tudo mais”, afirma Marchini.

Mesmo tendo sido construído praticamente todo com estrutura pré-moldada, os fechamentos externos do prédio administrativo foram realizados em alvenaria de blocos de concreto. Já os fechamentos internos foram feitos parte de drywall e a maioria, de alvenaria de blocos de concreto. “Havia muitas divisórias de office também que dão uma agilidade enorme, porque, quando se está fazendo o pré-moldado, já se fabricam as divisórias”, conta o diretor, que destaca também a estrutura externa de pele de vidro.

Certificações
Todo o projeto da obra foi desenvolvido dentro dos padrões definidos pelo Green Building Council, com a intenção de obter a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), com base nos princípios de sustentabilidade aplicados à construção.

“Durante a execução da obra foram realizados todos os controles de aquisição de materiais conforme os requisitos da certificação, todo o controle de descarte de resíduos com as respectivas separações e destinação para locais apropriados, todos os cuidados em relação à proteção do meio ambiente e da vizinhança, como controle de poeira e lava-rodas para veículos”, explica Marchini.

Além disso, o empreendimento já recebeu as certificações Tier III Design e Facility, do Uptime Institute, referência internacional na indústria de data centers. Essa certificação é importante, pois é a partir dela que a empresa começa realmente a comercializar o espaço. “Não adianta construir o data center, estar todo comissionado, se não está certificado. Então, o instituto foi lá e certificou de uma vez. Estava tudo correto, tudo perfeito. Esse foi o grand finale, vamos dizer assim”, comemora Marchini.

 FUNCIONAMENTO DO DATA CENTER 

O DC SP 01, como tem sido chamado o data center, conta com 12 salas de TI, estrutura de cloud, sistemas de resfriamento de ambientes feitos com equipamentos que utilizam indirect free cooling (baixa temperatura externa do ar para auxiliar na refrigeração) e, ainda, com recursos de segurança e controles complexos e automatizados. O espaço será destinado, principalmente, ao chamado wholesale colocation, no qual a finalidade é disponibilizar espaço físico especificamente para armazenamento de grandes volumes de informação. Em outras palavras, o DC Colocation fornece o espaço físico, a refrigeração, a energia, a banda de frequência e a segurança física, enquanto o cliente provê os servidores e o armazenamento. Outro grande diferencial é a conectividade do data center, que será carrier neutral, com múltiplas opções de provedores de telecomunicações e abordagem por anel de fibra subterrâneo com duplicidade de rotas, além de uma rede de dados interna, que possibilita ampla opção de conectividade com alta performance e de simples provisionamento.

 FICHA TÉCNICA 

Obra: data center da Odata
Localização: Santana de Parnaíba (SP)
Área do terreno: 22.800 m²
Área construída: 14.200 m²
Início da obra: julho de 2016
Entrega da obra: março de 2017
Investimento: R$ 400 milhões
Quantidade de funcionários: 1.498
Construtora: Afonso França Engenharia
Gerenciamento: PML Engenharia e Arquitetura
Projeto de arquitetura e projeto estrutural: Aceco TI S.A.
Instalações hidráulicas e elétricas: Planem Engenharia e Elétrica
Estrutura metálica: Alphafer Construções Metálicas/Tecmont
Terraplenagem e pavimentação: Maxxis Construções
Serviços de fundações: Sanar Construção Civil
Fornecimento de concreto: Poliximix
Fornecimento de aço: Votorantim Siderurgia

Modelo tridimensional do complexo de servidor de dados erguido em Santana de Parnaíba, em São Paulo